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Mostrando postagens de 2014

A difícil arte de se relacionar a dois

Esqueça as borboletas no estômago, as ufanias, a insensatez e a loucura. Esqueça conto de fadas, afinal, nem você é uma princesa e nem ele será um príncipe. Esse não é um reino e a magia nada mais é do que viver a realidade plenamente, sem esquecer da poesia de estar vivo. Mas amar é bagunçar, sim, de uma maneira diferente de atormentar e desconstruir, é uma revisão de como você sempre viveu. Amar é crescer. Amar é olhar para si, mas perceber o outro. Talvez, por isso, em princípios de relações, uma pessoa se sinta tão perdida, tão em dúvidas. Absolutamente insegura e sem saber como agir. Amar, talvez, seja como renascer. Essa pode ser a explicação por nos sentirmos tão atordoados e até um tanto infantis quando os primeiros acordes de uma canção inaudível aos outros mortais ecoe em nosso coração.
Cada início é meio torturante, atire a primeira pedra quem nunca agiu como um maluco nessa fase (mesmo que jamais admita ou o tenha feito escondido). Somos quase que completos imbecis e sequer…

No próximo ano, lambuze-se

Os votos dessas festas de final de ano são iguais e repetidos ad infinitum mundo afora pela sua família, vizinhos, amigos, desconhecidos, desconfio de que até os mortos os repetem em seus túmulos. Blábláblá sem emoção jogado ao vento e nos ouvidos incautos de quem foge dessa hipocrisia morna e irritante. Portanto, serei sincera: desejo que nesse próximo ano, você se lambuze. Fique com o rosto sujo e a alma respingada pelo lambuzo. Descasque uma manga e coma sem cortar em pedaços, sinta o suco escorrendo pela sua boca, as mãos meladas. Lambuze-se. Vá mais vezes à pracinha de brinquedos com seus filhos e se lambuze de areia, sujeira e amor. Abrace sua mãe e seu pai, faça mais brincadeiras irônicas com seus irmãos, evite a irritação com comentários alheios. Lambuze-se de tolerância. Sinta que você pertence a você, mas permita que alguém se lambuze de você. Permita que se lambuze com suas palavras, seus gestos, suas atitudes, seus olhos, seu corpo.
No próximo ano, lambuze-se de amor-própri…

Procuro seus pedaços em alguns inteiros

Parece loucura, parece volubilidade, parece carência, parece que meu sentimento é vão. Clichê total, sei disso, por favor, me permita a breguice de sentir sua falta cada vez em que dobro a esquina, que vejo alguém parecido com você, que lembro das nossas conversas, que penso em saber sua opinião. Deve ser isso ou o juízo me fugiu (se é que algum dia o tive) que faz de mim uma caçadora dos seus pedaços pela cidade. A tatuagem de alguém que lembra a sua, um homem com a sua altura e estilo, outro que trabalha na mesma área, outro que conversa um assunto que remete a você, os enfileirados, um após outro, que surgiram com seu signo, atormentando minha vida. Aquele cujo signo é o mesmo do seu lunar. Sim, lembro de tudo, até porque, nem faz tanto tempo assim. Mesmo que fizesse, sua ausência é uma desgraça, está em cada passo que dou, em cada retorno para a minha casa, em cada vez em que deito e sinto sua falta. Você está em mim e em algum lugar por aí.
O coração pula enlouquecido em meu peito…

O conquistador de Padaria (ou Norman Bates)

É um sujeito todo certinho, mesmo que não aparente. Provavelmente, caminhe como se estivesse na eminência de defecar, embora não o seja. Abre a porta da padaria para você passar, cede o lugar na fila do caixa e sempre faz um elogiozinho besta. Você, de início, até responde, agradece, conversa com ele até a quarta ou quinta vez em que se encontram. É aquele tipo que sugere o pão mais fresco, o melhor amaciante e até abraça sua avó com carinho. Todo santo dia dá bom dia (ou boa tarde ou boa noite) no mesmo tom de voz, faz as mesmas perguntas e usa a camisa abotoada até o pescoço ou, então, de maneira que pareça estar enforcando. Parece tão certinho, tão engomadinho, tão, tão... Assustador (tipo o Norman Bates, lembram de Psicose?). A quinta ou sexta vez em que conversa com ele, começa a desconfiar de tanta solicitude, daquele tom monocórdio de voz, daquela Síndrome de Pollyana (a história de uma menina tão, mas tão boazinha que apanhava da vida e sorria), daquela educação toda. As pergu…

As grandes amizades

Uma postagem minha, numa dessas tantas redes sociais, rendeu uma conversa inspiradora com uma amiga muito querida que tem a história de vida bem parecida com a minha, sobre como a amizade se dá mais pela ocasião do que por afeto. Que muita gente é egoísta, procura apenas quando vê necessidade ou quando está sozinha, isso sabemos, mas o comportamento de várias dessas amizades atinge o absurdo. Sabotar futuros relacionamentos, enciumar-se de alguma outra amiga, cobrar atenção quando quem sumiu foi a pessoa em questão, comparar-se, enfim, tantas atitudes sem motivos e sem noção que nem sei descrever. Gente que agradece aos amigos que tem, sentados em volta de uma mesa, num bar e bebendo muitas cervejas, isso é lindo. Quero ver esses mesmos "grandes" amigos procurar em casa, quando a pessoa está sozinha ou com algum problema. Lógico que não serão seus amigos, a finalidade é essa mesma, apenas diversão e banalidades.
Há situações que acontecem na nossa vida que são um tapa na cara…

Rima

Na inquieta solitude do Destino, me encontro e sublimo
Na escura hora do meu abismo, plano e mergulho
Na perdida canção do passado, não me reconheço
Busco (alguém) a mim, ninguém
Perco a alma, o juízo
Me desfaço do bom senso, agonizo
Desfibrilo, acordo, comatizo
Puxo meu cérebro, esqueço o coração
Encontro minha sina
Adrenalina que agita
Grito na janela, abro a porta
Ponho a goela
A língua treme, a boca vocaliza
Você monopoliza minha loucura
Perco a fé, a cabeça e as chaves
Tento a fechadura, o chão e o céu
Perdi, você, tergiversei
Encontrei meu coração
Meu mundo, minha confusão
Fugi, sem rastros
Queria que estivesse em meu encalço
Seu abraço, cheiro
Lembranças são o que tenho
Desafino, procuro e não acho
Essa é uma parte do meu caos
O Labirinto em que vivo
A arte de ser
Eu, você.

Uma verdade sobre as famílias felizes

Famílias felizes não existem. O que há são aparências, porta-retratos, e almoços de domingo onde se esconde a falsidade das relações. Não, seus pais não te amam acima de qualquer pessoa, eles amam a si mesmos refletidos em vocês. Alguém já viu pai de adolescentes e ou jovens adultos falando maravilhas da paternidade e maternidade? Os que vi, são aqueles que entregaram os filhos para os avós cuidarem. Alguém já parou para pensar de onde vem tanto desamor nesse mundo? Reflita, se as noções primeiras de convivência, valores e amor vem da família, por que motivo se ama tão pouco e isso diminui cada vez menos? Por quê há tantos problemas de relacionamento, de respeito ao outro e compreensão? Dizer que ama um filho pequeno, que faz gracinhas é fácil, mas considerar que obteve sucesso e ser feliz com os filhos em torno dos trinta anos, após ver no que deu suas experiências como progenitores é que são elas.
Tolstoi, em sua frase célebre, afirmou que todas as famílias felizes são iguais, as inf…

Felicidade é paz de espírito

Perguntaram se sou feliz, (afinal, alguém azeda e que não usa máscaras não poderia ser feliz, correto? ah, sem um macho a tiracolo, pobre da solteirona) e respondi que sim. Se me abato em alguns momentos, se tenho vontade de cuspir na cara sonsa duns e dumas tipos aí, se enfrento a realidade todos os dias, se entristeço e repenso minhas escolhas significa apenas que estou viva. Caso fosse infeliz, não suportaria o que suporto e já estaria dopada de medicamentos. Felicidade é paz de espírito, para mim e isso eu tenho. E, principalmente, sou feliz por ser fiel a mim, aos meus princípios e sentimentos. E isso não tem preço.
Quantas pessoas podem afirmar o mesmo? Quantas podem dizer o que realmente querem, que seus desejos não sejam objetos, mas subjetivos?  Tive fases bem pesadas, em que chorar era rotina (essas fases são cíclicas), tive fases em que realmente desejei morrer, em que gostaria de sumir, de dormir e não acordar mais. Mas sobrevivi a mim, sem medicamentos tarja preto e com mu…

Se liga, otário

Homens de hoje são a nova mulherzinha. Fazem joguinho, dão sumidinhas, agem como se não estivessem nem aí para você, mas cuidam seus perfis nas redes sociais, fingem não prestar atenção quando seu nome surge em alguma conversa, tem ar blasé. Gostam de cuidar da mulher de longe, a admiram e calculam por quanto tempo desaparecerão e quando ressurgirão. Pois bem, machos, tenho uma péssima notícia para vocês: tem outro (ou outros) rondando sua pretendida. Sabe quando a deixa no vácuo, fingindo que não viu a ligação, a mensagem ou o whatsapp? Pois é, tem um que liga para ela, não fica longos períodos sem dar notícia e procura agradá-la, sem exageros. Enquanto você tem regrinhas burras como não deixá-la dormir em sua casa ou fazer retiradas estratégicas, haverá outro que colocará lençóis limpos na cama a aguardando, que descerá do carro e a esperará no portão do prédio, que lembrará sua bebida ou comida preferida e que deixará óbvio que escutou aquele cantor apenas por a moça ser fã dele e …

Meio ogra, inteira sua

Poderia me descrever de várias maneiras, exaltar minhas qualidades e fazer você acreditar que sou a Branca de Neve esperando pelo seu príncipe, o que não é verdade. Para começar, digo a você que sou meio ogra, grossa e desastrada, que ando avoadamente nas ruas e, algumas vezes, quase fui atropelada. Posso comentar, inclusive, sobre minhas TPMs ferozes e que não saberá se chorarei ou terei raiva de alguma situação. Mulher-Iceberg, tenho um coração que se derrete mas que também congela. Impulsiva quando o sangue ferve, quando resfria vem a calma e o arrependimento. Não pergunte o que sinto, perceba quem sou. Observe minhas janelas verdes e saberá cada nuance das minhas emoções e onde escondo os sentimentos, siga meus passos e descobrirá a caverna escura onde me escondo.
Posso afirmar que gosto de gente, mas adoro ficar sozinha. Gosto de cuidar dos outros, mas preciso e muito que cuide de mim. Não uso biquíni, não viu à praia, não gosto de areia e não me bronzeio, embora, modestamente, fi…

A revolução sem atitude - desabafo de uma mulher negra e anônima

"Na pauta dos revolucionários são pontos a causa dos negros, a luta contra o racismo, a briga pelas cotas como direito a reparação pela escravidão, a luta contra os estereótipos de beleza e a valorização da beleza negra, os cabelos afros, os black powers; e que só ser considerada bonita se for loira de olhos azuis ou morena com cabelos lisos é um preconceito. É sabido que muitos homens se relacionam com negras e, tempos depois, ficam noivos e casam com as brancas, ou brancas e magras, como que para ser aceita como mulher e mãe de seus filhos tenha que ser assim. Mesmo não sendo magra, deve ser branca, mas sobre esse fato não vejo muita gente comentando e merece muita reflexão, principalmente por parte dos que se dizem revolucionários. De qualquer forma, o que se fala não é o que realmente importa. O que importa é o que se faz. Negras se casam? Sim! Com outros negros e com brancos também. Por isso existem as mulatas. Mas o que isso tem a ver com os que se dizem revolucionários? Si…

Do que é feito o amor

Muitos de nós tentam todos os dias descrever esse sentimento absoluto, extasiante e assustador denominado amor, saber do que é feito. Palavra tão pequena e tão complexa, indefinível e intangível. O amor é feito de provações, escolhas, pequenas rupturas e uma dose absurda de coragem, persistência e entrega. O amor nos testa diariamente sem percebermos e, sem percebermos, nos invade como uma tempestade silenciosa, cheia de brisas, chuvas e insistentes raios de sol rasgando as nuvens e mostrando porque devemos persistir. Amor é o sorriso que nos fortalece, a gargalhada que relaxa, o norte que seguimos. Amor é aquele peito que se transforma em nosso melhor travesseiro, é aquele que faz nosso futuro melhor, apenas por estar nele. É nosso ponto de partida e de chegada, amar é encontrar nosso lugar, nosso esconderijo, amor é se saber ao ver os olhos do outro. Amor pode ser um lugar em um pessoa. Amor pode ser tanto em tão diminuta palavra.
Amor é feito de lágrimas e esperas, amor é mergulhar …

Ao que (um dia) virá

Lendo livros, textos e o que mais surge em frente ao meus olhos, sobre o tipo de pessoa que você deve ser ou a que deve vir para a sua vida, pensei, pensei e concluí: não sou desse mundo. Porque, desde que abri meus olhos e percebi o que realmente quero, nunca mais fui a mesma, nunca mais o óbvio me atraiu e, nunca mais mesmo, consegui desenvolver mais do que um breve afeto por quem não me olhar com um brilho nos olhos. Saca? Percebi que são os pequenos gestos que definem um sentimento e não os grandiosos, que são as escolhas que alguém faz por você e vice-versa que sustentam uma relação e um sentimento. Quando se estabelece o relacionamento, não está garantida a permanência do afeto e do casal, não é um papel ou um rótulo ou um (óbvio) "eu te amo" que mantém amor e relacionamento. O que mantém é o dia a dia, a vontade de estar juntos, nas batalhas vencidas e, principalmente, nas perdidas. Portanto, quero alguém que queira ficar na minha vida, saber o que me motiva.
Quero alg…

Quando a dor cega

A visão distorcida de emoções, sentimentos e valores cresce exponencialmente à medida em que somos mais conectados virtualmente e desconectados pessoalmente. Como desconhecemos nossos sentimentos, medos e traumas, lidamos com as situações de dor nas relações as denominando de intensas e apaixonadas, muitas vezes dizemos que são relações de amor. Incrível como é fácil chamar de amor e se relacionar com quem o (a) atormenta. Na verdade, ama a dor que o outro causa e se esconde atrás disso para não sair da história realmente e encontrar uma verdadeira relação de afeto. Afinal, ser infeliz é muito mais fácil do que feliz, na infelicidade e no tormento sempre há alguém para culpar. Ser feliz exige coragem em assumir que o caminho é seu, investir no outro e em si, dando e recebendo amor real. Exige, também, conhecer seus medos, traumas, desejos, o que quer, o que não quer e como quer se sentir na relação. Eu, por exemplo, demorei muito, uma vida, para entender que quero me sentir livre para…

A verdade sobre o seu futuro

Atire a primeira pedra quem nunca frequentou uma vidente, cartomante ou coisa que o valha. Quem nunca fez uma simpatia, feitiço ou qualquer outra atividade com conteúdo sobrenatural. Eu mesma já gastei meus trocos em algumas adivinhas, apenas uma, há muitos anos atrás, acertou mais de cinquenta por cento das previsões, mas alertou que se referia a um período de no máximo seis meses, hierofantes que previam um ano ou mais eram considerados charlatões, em sua opinião. Acredito que algumas pessoas tem a capacidade de entrar em alguma conexão com você e intuir suas atitudes passadas, suas escolhas, pensamentos e seus amores. E, menos pessoas ainda, realmente tem algum dom de prever o futuro, mas esses são honestos o suficiente para confirmar o que já sei: o futuro é mutante. 
Posso não atravessar a rua, seguindo reto na calçada e aquela pessoa que estava no outro lado da rua simplesmente continuará uma desconhecida que não oferecerá um emprego a você, quando lhe ajudar a pegar seus documen…

Manifesto sobre a teimosia

Nasci sob os desígnios do signo de Touro, ascendente em Capricórnio; apenas (ou talvez) por isso sou adjetivada de "teimosa". Nesse pensamento, minha sentença como pessoa "teimosa" é proferida quase com satisfação e todos os meus pensamentos, as opiniões e atitudes entram nessa sentença. Sabe, você que está lendo, teimosamente, esse texto: tenho mandado essas criaturas enfiar algo em seu orifício recôndito e obstruído pela escuridão, mesmo que mentalmente. É ridículo como gente que não revê atitudes, comete o mesmo erro ano após ano, relação após relação e escolha após escolha, alcunha a mim como "teimosa". Óbvio que tenho algumas teimosias, mas daí a classificar toda uma pessoa por um ou dois posicionamentos é exagero. O pior, gente que bate o pé apenas porquê a atitude ou idéia é sua, que aponta o erro do outro e não faz mea culpa assumindo o seu. É preciso ter paciência com essa gente. Aviso desde já que paciência é artigo raro em mim. Mas aceito pensa…

A incrível geração de gente que não sabe o que dizer

Relendo dois textos sobre mulheres e suas motivações para ter alguém ou não, ambos diametralmente opostos e ambos absolutamente parciais, tenho algo, a dizer: ai, meus sais, meu saco e meu Jack Daniel's sem gelo, por favor. Ambos são parciais em todas as atribuições que me, lhe, se colocam e sim, achei tosco que, em um mundo diverso, amplo e repleto de nuances, ainda há gente (principalmente mulheres - amigas, vocês nunca foram tão machistas e tão estereotipadas) que veja o mundo sob essa ótica homem versus mulheres. Quero deixar bem claro que sou a favor sem restrições da batalha entre os sexos, desde que seja em uma cama com lençóis limpos, com direito a uns tapinhas, se assim convier, beijos demorados e cheios de saliva, verdadeiros gladiadores (as) do sexo, com lingerie bonita (pode ser sem nada mesmo) e direito a abraço demorado depois do gozo. Outra batalha qualquer é mais um round nesse mundo repleto de disputas inúteis em que tudo se resolveria se houvesse mais mente abert…