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Ao que (um dia) virá



Lendo livros, textos e o que mais surge em frente ao meus olhos, sobre o tipo de pessoa que você deve ser ou a que deve vir para a sua vida, pensei, pensei e concluí: não sou desse mundo. Porque, desde que abri meus olhos e percebi o que realmente quero, nunca mais fui a mesma, nunca mais o óbvio me atraiu e, nunca mais mesmo, consegui desenvolver mais do que um breve afeto por quem não me olhar com um brilho nos olhos. Saca? Percebi que são os pequenos gestos que definem um sentimento e não os grandiosos, que são as escolhas que alguém faz por você e vice-versa que sustentam uma relação e um sentimento. Quando se estabelece o relacionamento, não está garantida a permanência do afeto e do casal, não é um papel ou um rótulo ou um (óbvio) "eu te amo" que mantém amor e relacionamento. O que mantém é o dia a dia, a vontade de estar juntos, nas batalhas vencidas e, principalmente, nas perdidas. Portanto, quero alguém que queira ficar na minha vida, saber o que me motiva.

Quero alguém que mergulhe em mim, sem medo (ou com medo, mas vontade). Quero um Homem (assim mesmo, com H) que não me deixe fugir, que tenha aquele brilho indefinível nos olhos e me capture pelo coração. Admito, tarefas nada fáceis, sou hábil em fugir, péssima em ficar. Por mais que meu coração queime por ele, precisa mais do que isso para permanecer e fazer as escolhas que nunca fiz, decidir o que nunca decidi. Preciso admitir que é mais fácil, para mim, viver uma relação onde estou pela metade, morna e pobre, do que aquela relação onde eu olhe nos olhos de um homem e veja meu futuro ali. Esse sentimento é o mais assustador que existe para mim, o mais forte e mais difícil de lidar. Por isso, faz com que a minha caverna solitária, onde sei de cada canto empoeirado e a minha sombra me faz companhia, seja mais reconfortante. Onde fico noites adentro assistindo filmes e chorando ou escutando músicas selecionadas a dedo e chorando. 

Quero alguém que fique comigo quando estou em silêncio e que respeite o fato de que não encontrei uma maneira objetiva de falar sobre meu desconforto. Quero alguém que, mesmo não entendendo a complexidade da minha personalidade, compreenda quem sou, que peça colo sem constrangimento e saiba pelos meus olhos que também preciso. Quero alguém que seja magnético para minha mente e meu olhar. Alguém que, lendo todas essas condições, saiba que todas advém do fato dele querer me decifrar e ficar aqui, afastando-se de vez em quando, mas mantendo os olhos em mim, cuidando mesmo que de longe.

Percebi há pouco tempo que um homem divertido, inteligente e cheiroso é fácil de gostar e um tanto óbvio. Essas características me são atraentes, mas preciso admitir que, para mim, precisa mais do que isso para entrar nesse meu fechado mundo (ou fazer com que eu saia daqui). O que dá esse calor no peito que pode transformar-se em uma bola incandescente de fogo não é a capacidade de atrair pelo riso e diversão - é o que você traz em sua bagagem de vida e como lida com isso é que pode causar uma emoção diferente em mim. Como disse, gostar do óbvio é fácil, mas ir além e querer saber das motivações, alegrias, tristezas, medos, traumas, histórias e questionamentos requer mais. Não quero alguém cheio de certezas, um "machão", quero sensibilidade, partilhar dúvidas e as buscas por respostas. Quero ser compreendida e compreender, ser decifrada e decifrar, ouvir e falar, rir e chorar, beijar e beijar. Quero, enfim, ter a quem dar todo esse amor guardado em meu coração e contar todas as histórias que guardei apenas para ele.

Para você, que vai chegar. 


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