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Postagens

Agora

Eu disse tantas palavras em seu ouvido
e elas são apenas suas
ninguém as saberá, as escutará ou as repetirá;
são suas, tal qual minha saliva, minha pele
e, principalmente, meu olhar, esse olhar que só você tem
meus olhos verde-gato fixam o profundo dos seus castanhos
enxergam infinitos, dores, amores mortos onde você se enconde para não sentir mais dor
amigo, amor não é dor
amor é vida
é calor no peito
uma noite mágica
um sorriso bobo no meio da tarde
uma música legal na madrugada
emoções que machucam, ferem, rasgam são tudo, não amor
pare de se defender
engula seu orgulho
dome seu gênio
e olhe para mim
sorria, aqui estamos outra vez
aqui somos nós
veja como a sintonia flui
alguma insegurança, uma pequena barreira
mas somos nós, inexoravelmente, intangivelmente, infalivelmente
somos nós a mágica, a poesia, a música e a cor
sim, pintamos cores e afetos
fazemos arte com nossos olhares, nossos corpos e nossa voz
somos eu, você
nossos passados já foram, são apenas lembranças
e nós, nós somos o presente, o hoje, o ag…
Postagens recentes

Sobre todas e todos os dias

Quando é noticiado violência contra a mulher, como agressões ou estupros, sempre há pessoas (entre elas algumas mulheres) atacando a vida e hábitos da mulher. Por ser sensual ou não, pelas roupas, por ter filho, pelo comportamento, o que, francamente, mesmo que fosse uma senhora freira, religiosa e que usasse um hábito tapando seus pés também seria motivo para essa cultura do estupro tomar forma. Fosse eu, você ou alguma parente ou amiga sua seria igualmente horrível e asqueroso o ato criminoso que homens cometem todos os dias contra mulheres. Na maioria dos casos não são loucos ou doentes, apenas terrivelmente mal-intencionados. 
E qual a parcela de culpa da sociedade nisso tudo? Toda a culpa. Quando hiper-sexualizam a mulher, objetificam e põe uma mulher contra a outra, quando a aparência é julgada, quando o desrespeito é a regra e incentivado, mulheres são e serão estupradas e abusadas todos os dias. Quando o não de uma mulher for interpretado como charme ou falso desinteresse, enqu…

Sua casa

Abra a porta, mas não chaveie,
a ideia de que esteja preso em mim
sufoca, 
quero você livre, se desejar ir
é porque meu coração não é onde gostaria de estar
Valorizo minha liberdade, logo, a sua é importante.
Mas não pense que, se a dúvida acometer,
aceitarei que saia e volte
Mas, se voltar
Traga a sua certeza
Partilhe sua vida comigo, mesmo em silêncio
Gargalhe, sorria
Você pode ser a música que falta
Esse verso que escrevo
E a poesia que ainda virá
As janelas que abri
foram para esperar sua brisa
refrescar minha pele
Você pode ser a mão que me segura na queda
O abraço que consola meu pranto
E o sexo na madrugada de que tanto gosto
Se vier, que esteja faminto
de mim, de nós
traga sua vontade, seu carinho e seu peito
Minha vida é a sua casa
meu corpo é sua cama, seu prato, seu lençol
Sua camisa é meu pijama
Sua saliva, meu antídoto
Minha pele será familiar
Serei sua casa, seu lar
Seu abrigo, sua proteção
E seu abraço, será, por fim
Meu lugar preferido no mundo.

Equilíbrio

Ela desligou seu coração. Tantas vezes tentou ser ela, se envolver, sentir. E nada. Desistiu do envolvimento, agora era pura carne. Vestiu seu lado predadora e foi assim que decidiu viver, daquele dia em diante. Ela se sente em suspenso, num limbo, mera observadora de sua vida. Nada sente, ninguém abala, remexe ou modifica as batidas de seu coração. Nenhuma ligação ou mensagem a esperar, nenhum toque no interfone, campainha ou o que for. Seu cérebro ansioso CID 10 - F41.1 se transformava em um redemoinho de pensamentos quando seu coração descompassava. É doentio e masoquista ter afeto por alguém, a deixava com pensamentos recorrentes, ideias fixas, dor. Pensando bem, nem relacionamento meramente sexual. Seu mundo fechado e isolado dos outros era confortável. Doente, mas confortável em seu silêncio repleto de barulho, em suas sombras.
Filmes e seriados eram melhores companhias do que a presença de um homem. Preferia assim desde sempre, apenas mais jovem não tinha tanta segurança, o que …

Náufraga

Olhou para suas caixas de remédios, pensou que a morte seria doce, amenizaria aquela dor que sentia. Quantos seriam necessários para matá-la rapidamente? Todos os comprimidos das caixas ou apenas alguns? Sofreria, sentiria algo revirando suas tripas? Sangraria? Não queria morrer sangrando, por isso nunca havia se esfaqueado ou cortado seus pulsos e tinha a dor dos cortes que a apavorava. Havia pensado em veneno, mas seria difícil que alguém vendesse belladona na quantidade necessária para a morte sem fazer perguntas. E seus cachorrinhos, como faria? Quem ficaria com eles?
Perguntas demais, ação de menos. Precisava ser rápida, em algum momento alguém da casa questionaria porque havia se trancado no quarto a tarde toda e a noite toda. Saíra apenas para usar o banheiro, não queria se esvair em merda e mijo na hora da morte. Pensara em tomar banho e perfumar-se, mas quem ligaria para ela? Se viva não fazia diferença, aquela solidão a consumia, morta é que ninguém prestaria atenção mesmo. T…

Ondas

Assim, em ondas
Vem e sufoca, afoga, esmaga
Assim, em ondas
Acaba, derruba, esmorece
Assim, em ondas
Vem e agonia
Aperta o pescoço, rouba o ar, a paz
A vida
Assim, em ondas
Faz engolir água, choro
E me deixa inquieta, atônita
Perdida, asfixiada
Assim, em ondas
Vem esse maremoto e traga meu coração
Anuvia a mente, perde os sentidos
Me faz triste, me faz calada, me faz letárgica
Me faz assim, um tanto menos feliz
Um tanto menos em paz.

Menina

A menina que gostava dos peludos e queria um cachorrinho
A menina de olhos verdes brilhantes e sorridentes (meu pai quem dizia)
A menina com narizinho arrebitado e com sardinhas
A menina dos cabelos longos e encaracolados
A menina que conversava com todos e adorava uma festa
A menina que chorou na Copa de 82
A menina que tagarelava sem parar
A menina que andava de mãozinha com seu pai
A menina que tinha medo do escuro e, hoje, gosta de habitar um pouco na escuridão
A menina que ainda vive em mim e eu nela.