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Uma verdade sobre as famílias felizes



Famílias felizes não existem. O que há são aparências, porta-retratos, e almoços de domingo onde se esconde a falsidade das relações. Não, seus pais não te amam acima de qualquer pessoa, eles amam a si mesmos refletidos em vocês. Alguém já viu pai de adolescentes e ou jovens adultos falando maravilhas da paternidade e maternidade? Os que vi, são aqueles que entregaram os filhos para os avós cuidarem. Alguém já parou para pensar de onde vem tanto desamor nesse mundo? Reflita, se as noções primeiras de convivência, valores e amor vem da família, por que motivo se ama tão pouco e isso diminui cada vez menos? Por quê há tantos problemas de relacionamento, de respeito ao outro e compreensão? Dizer que ama um filho pequeno, que faz gracinhas é fácil, mas considerar que obteve sucesso e ser feliz com os filhos em torno dos trinta anos, após ver no que deu suas experiências como progenitores é que são elas.

Tolstoi, em sua frase célebre, afirmou que todas as famílias felizes são iguais, as infelizes o são cada uma a sua maneira. Acrescentaria uma releitura, as famílias infelizes são felizes com sua infelicidade. As famílias infelizes se alimentam da dor e do desamor que experimentam em si e proporcionam aos seus filhos. Há uma expressão jocosa na psicanálise "mãe é trauma", não saberia onde li ou ouvi, mas ampliada, mãe e pai são trauma. Diria que as famílias tem seu "cesto do lixo" subjetivo, aquele filho ou filha que é o chamado depósito de veneno das frustrações, incertezas, raiva e culpa dos genitores e pode haver uma "sucessão" dessa cesta de lixo, E isso não é uma afirmação aleatória, é resultado de uma pesquisa realizada por um norte-americano, Lloyd de Mause . Um texto dele e que tive acesso, segue abaixo o link, descreve as conclusões a que chegou depois de uma vida de pesquisa sobre a infância. Uma dessas conclusões é de que o abuso, muitas vezes, é fator de união familiar, pois as frustrações, os medos e traumas dos pais são descarregados sobre a criança e, dessa maneira, lidam com suas emoções negativas. Isso é chocante, visto que a humanidade se nega a fuçar em seus demônios internos e reavaliar suas condutas.

Admitir que os pais não são entes superiores e divinos, mas pessoas problemáticas e despreparadas para não só lidar consigo, mas também com uma criança indefesa, é tocar o dedo na ferida da nossa sociedade. Em algum momento de seu texto, o autor afirma que as crianças foram e são o depósito de veneno no curso da história. Isso, além de triste, é estarrecedor. E perpetuado até hoje, felizmente, além de muitos casais decidirem não ter filhos, algumas pessoas quando o fazem, é com a consciência de que um filho não é uma extensão de si mesmo e nem a causa dos problemas da família, mas sim, um elemento de união. As dificuldades afetivas dos adultos são, em sua maioria, reflexo das vivências familiares, afinal, a família é a primeira representação da sociedade e de como é o funcionamento das relações humanas. 


Texto sobre a história do abuso de crianças http://pt.scribd.com/doc/25909716/Lloyd-deMause-Historia-do-Abuso-de-Criancas

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