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Ai, que saco, vida de novela


Não aguento mais as xaropices da vida expostas tão ridiculamente na novela das oito. E resolvi escrever minha crônica da novela anunciada, que é para acabar com a ilusão do povo. Assisto pouca novela, lá de vez em quando um capítulo ou outro, mas nem precisa acompanhar para saber que é um saco. Passa dia, semana, mês e nada muda. Quer dizer, piora. Vamos à novela das oito, que é às nove. Gente, que é aquele Theo? Eu não queria nem fodendo um mala filhinho da mamãe daqueles. Pensa, amiga, é lindão, é querido, mas é um Titanic. E a mãe dele, ninguém merece uma sogra chata daquelas. O cara, que não é o meu tipo, tem uns 30 e poucos anos, trabalha, ganha mais ou menos, pode morar em outro lugar, mas não, o bebezão ainda mora com a mamãe. Alguém já viu ele pagar uma faxineira para tirar a véia da lida? Tem roupinha limpa, comidinha na mesa, casa montada, um tia solteirona que não serve para nada e fila bóia, uma casa cheirando a naftalina, tudo bem direitinho. Ele até pode levar a namoradinha para dormir em casa. Um luxo. Ele engana, confesso que até eu suspirei com o "cuido de você" que ele largou para a Morena. Conversa. O mauricinho tem coceirão (um termo que um amigo usa para as mulheres e adaptei para os homens) no pinto, não consegue ficar sozinho, aquele mala. NÃO SE GARANTE.

Morre de amor pela Morena, mas quando a sangue nos olhos bobeia, ele sai passando o rodo geral. Depois, fica suspirando e correndo lagriminhas pela casca (o homem é cara de pau, não tem pele, tem casca de madeira), lembrando da Morena e fazendo toda a mulher se sentir a última merda boiando no Tietê. Além de galinha e não se garantir sozinho, ele sempre deixa a imbecil que se apaixona por ele sabendo, mesmo sutilmente, que o amor dele é a Morena. Um otário, um frouxo. Aliás, frouxo é o que mais tem nesse mundo. Sério, amiga, foge dum diabo desses. Cilada descarada, o cara não tem opinião e nem atitude. Nem sei como a Morena não corneou ele ainda. E aquela mãe, o cara nunca dá um para-te quieta cortante na véia. Não precisa nem ser grosseiro, mas ser firme, o mauricinho é um bosta, deixa a parte pesada para as otárias que caem na lábia dele e ele sempre é o bom mocinho. Justiça seja feita, luta por penalizar os responsáveis no caso da Morena, mas o maldito coceirão não deixou que ele curtisse o luto sozinho, como adultos fazem. Ama imaturamente, não se garante. E pega geral. Agora, casou com a Érica, uma sonsa.

Vamos à Érica. A nora ideal, tão adequada, loira, linda e sem sal. Suspira o tempo todo e não perde a chance de correr atrás do Theo. Não tem amor-próprio, parece uma princesinha, mas pegou geral o batalhão, de Norte a Sul.  Está sempre disponível, basta ter um pinto que ela está lá. Para o chaTheo, nossa, ela é a legítima arroz de festa, sempre aguardando que ele estale os dedos. Só escapou o comandante e nem sei se ele escapou, também. Aquela lá é sonsa. Deu mais que todos os prostíbulos no horário nobre, mas a véia, a mãe do Theo e o próprio acham que é um anjo de candura. Mas bem feito pra véia, a sonsa já tá botando as garrinhas de fora, dando um chega pra lá na Dona Áurea. E parece que embarrigou do coceirudo do Theo. Eita homem otário e frouxo. Não demora muito e a sonsa tá fazendo todo mundo de bobo.

A véia é um caso sério. Preconceituosa, ultrapassada, nem um tricô decente ela faz. Vontade de pagar umas aulas de yoga para aquela chata ir dar uns rolê e parar de dar palpite furado na vida do filho. Falta dum véio assanhadinho que aquiete a falastrona. Bem feito para ela, tomou umas diretaças da que tanto defendeu, a Érica. Hipócrita, chamava a Morena de favelada mas nunca vi um barraco sequer da Morena com a véia. Só uma discussão e tal, mas nem eu aguentaria. E o filho é tão bem educado que nem a cueca ele lava. E ainda pegou a Lívia, que, diga-se de passagem, foi a única cena que assisti inteira. A morena tem sangue nos olhos, mas é tão bocaberta que nem para mandar passear aquele mauricinho do Theo ela mandou. Uma mulher de atitude que nem para se garantir e ficar sozinha, afinal, o cara nem esperava esfriar a cama que dormia com ela e já metia outra no campinho. Cartão amarelo para você. Despacha o Theo, Morena, esse não tem cura, tem coceirão e nenhuma atitude.

Mas o melhor casal é o Stênio e a Helô. Depois que ele percebeu que a delegada é a mulher da vida dele mesmo, desistiu de periguetear e não pegou mais ninguém. Se empenha em recuperar a ex e mostrar que é dela que gosta, que quer casar de novo (o que já fez o cara ganhar pontos comigo, ele sabe que não é retomar a antiga relação, mas sim, uma nova) e ser, enfim, feliz com aquela briguenta que é tudo de bom. Até parece que está dando mais moral para a filha, mas não afirmo pois não assisto sempre a novela. E a Helô, hein, quero ser como ela quando crescer. Não se abate com a frouxidão crônica dos bofes, que somem depois que sabem que é delegada. Dá um duro medonho no Stênio, mas é dele que ela gosta. Não confia nele pois acha que é um cafajeste, mas o Theo é mil vezes pior. O Stênio se garante, sabe que é gostoso, mas nem por isso pega geral. Sabe o que quer, até eu quero um Stênio para mim, um dos poucos caras de atitude nesse mundo. A Helô é faca na bota, não se abate e nem se micha, a única culpa que carrega é não ter dado mais atenção para a filha. Mas não tenho queixas desse casal, são o melhor de qualquer novela que assisti. Tirando a Laura e o Edgar.

Enfim, precisava desabafar sobre essa chatice que é a novela das nove. Mas mostra como tem homem frouxo nesse mundo. Homem que não se garante, que não assume o que quer. E como as aparências são tudo, a periguete mor da novela é a loira e linda com cara de santinha, mas repassou o batalhão, de Norte a Sul. É sonsa, nem sei se sabe amar, mas quer o chaTheo a todo pano.  Fica com o coceirudo, amiga Érica. Bofe otário nóis num qué.

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