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Você banca a sua escolha?


As histórias que escuto e presencio mais e mais me convencem de que os humanos transformaram-se em pessoas covardes e que continuam presos a tabus e convenções, ao dinheiro e às "aparências". Relações superficiais transformam-se em amores modelo nas fotos, casais que já perderam o vínculo sorriem para manter o rótulo de felizes e perfeitos. Pessoas que permanecem juntas por dinheiro e outras que se afastam porque o parceiro não é adequado, gente infeliz na profissão por ter ido atrás de posição social e não da satisfação, muitos e muitos motivos errados para viver. Daí, me pergunto: quem banca a própria escolha? Quem tem coragem de ir atrás do que quer e de quem quer? Quem segue em frente com suas decisões? Quem vence a própria covardia e muda sua vida? Você tem coragem para bancar suas escolhas? Você tem atitudes pelos motivos certos? Afinal, o que você fez com sua vida? Para esclarecer, correr atrás do que e de quem quer não é se transformar um maluco obsessivo. Essa categoria de gente é caso para a psiquiatria e não inspiração para esse texto.

Ter uma satisfação profissional e ganhar algum dinheiro com isso é um sonho possível, basta organização e planejamento. Claro que vivemos em um mundo real e não ideal, mas enfim, acredito que é possível aliar gostar do que se faz e sustentar-se com isso. Vejo pessoas que mudaram radicalmente de vida e de profissão e, mesmo ganhando menos dinheiro com isso, são felizes, alcançaram a paz de espírito. Esse modelo capitalista voraz transforma os humanos em objetos e mecanismos do dinheiro, como se só quem possui caros bens de consumo, muito dinheiro na conta bancária e status fossem felizes. Grande mentira, quando a doença e a morte chegam, atingem a todos, sem distinção. Sem essa de quem tem grana tem mais condições de sobreviver, já vi casos de pessoas humildes que se curaram do câncer e outras abastadas que sofreram muito e sucumbiram à doença.

É inacreditável mas totalmente real que nas relações pessoais nós, humanos, nos encaixamos em padrões nem sempre satisfatórios de vida. Sempre digo a quem conheço (e o falo por experiência própria) que o adequado não é o certo. Querer alguém adequado a nós é como comprar amor em supermercado, puramente racional. Aprendi que ignorar os sinais e não ouvir o próprio coração é um erro que cobra alto preço. A pessoa certa não é aquela que se encaixa, é aquela que acrescenta, que vibra nosso coração, que pode ter pontos em comum, mas também tem opiniões próprias. É aquela criatura que transforma um momento corriqueiro em uma situação cheia de mágica e poesia. Não é aquela que diz eu te amo, aliás, frasesinha mais banal é impossível. É alguém que colore um dia de chuva, que fala as palavras certas e sinceras, não preenche nosso cérebro com frases feitas, é alguém surpreendente de maneiras sutis e intangíveis. E me pergunto como pode ser tão mais difícil bancar uma escolha afetiva ou a saída de uma relação que sucumbiu ao tempo e à falta de amor. Mudamos de emprego, mas não entregamos nosso coração ou não saímos de uma relação falida por pura covardia, acomodação e egoísmo. A pessoa vira um iô-iô, vai e vem, sem realmente assumir sua decisão. Mas, se for para cair fora, que seja por si mesmo e não por algum romance novo e se ficar na relação, que não seja pelos filhos, é um peso muito grande colocar nas costas do outro a nossa escolha. Sempre devemos fazer o que nosso coração manda, o que nossa intuição sussurra no ouvido. E assumir as conseqüências.

Sei que é difícil romper, na verdade é o medo do novo que nos acovarda, o medo de mudar. Eu demoro muito para decidir, mas costumo dizer que quando eu decido, eu decido. Não volto atrás, não mudo minha rota. Se saio de uma relação é por estar totalmente segura da minha decisão. E não olho para o passado, decisões são sólidas atitudes e pensamentos no que tange a mim. Namoro ou casamento morto é um defunto a ser esquecido, não venero fantasmas desde que passei dos vinte e cinco anos. Banco minhas escolhas, a despeito das pressões, do medo do desconhecido ou da aceitação de alguém. Não busco o homem adequado, quero o certo e não me pauto por padrões sociais, regras ou normas de comportamento. Escolho o que meu coração manda, o que me faz vibrar, a pessoa que despertar uma vontade premente de ser alguém melhor. E banco minhas escolhas, independente de tudo.

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