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O seu papel na minha vida



O pensamento pode ter sido inspirado por algum texto ou frase que li, mas há pouco estava me questionando sobre isso, os papéis que somos na vida de alguém. Ou que poderíamos ter sido. Confesso que nunca me perguntei quem eu queria ser na vida de qualquer pessoa, seja ela meu parente, amigos ou amigas ou namorado, noivo, marido (os dois últimos jamais tive). Fiquei curiosa em saber quem eu fui ou sou para cada um. Inclusive para os pretendentes ou aspirantes ao meu coração que a vida me apresentou (vida nada, Destino safado e Campo Magnético atrapalhado). E percebi que, em muitos casos, acho que deixei uma má impressão, por ser orgulhosa e defensiva, com minhas várias opiniões sobre o mundo e a vida que eles nunca perguntaram. Acho até que posso ter estragado algumas vezes, tenho esse dom, o de afastar quem se aproxima de mim. Provavelmente, estratégia de fuga ao contrário. 

E o contrário também me pergunto. Será que alguém, alguma vez, se questionou quanto a isso, o que representava ou queria representar para mim, de verdade, emocionalmente envolvido? Como deveria agir comigo ao ter a vontade real e sincera de entrar na minha vida? Houve quem quisesse forçar a entrada nessa minha caverna, tentando me impressionar, tenho esse instinto de perceber e desconfiar quando a esmola é demais. Alguns caras realmente tem a vaidade de tentar conquistar quem eles acham que poderia dar algum Ibope como homem, macho ou o que for entre os amigos. Ou são puramente impulsivos e desses, eu fujo. Fogo de palha queima rápido e faz estragos. Eu também sou difícil de me entregar, deixar acontecer, geralmente observo muito antes. Amor é um sentimento que talvez quase tenha experimentado, mas nunca vivi.

Eu sou cautelosa quanto à emoções, mas houve uma pessoa que eu percebi, depois de um mês e pouco, que poderia amar em um futuro próximo. E ele leu minha alma, como poucas pessoas que me conhecem há anos jamais leram. Como uma amiga disse, ele me sacou. E, detalhe, depois de ter conversado poucas vezes comigo. Isso foi há algum tempo e hoje me perguntei qual o papel que ele escolheu ser na minha vida. Foi uma história muito legal e que poderia ter sido bem mais que uma história, poderia estar vivendo aquilo até hoje, de maneira ritmada e serena. Mas não foi assim que transcorreu. Em um momento de cautela e tato, onde ele poderia ter esclarecido as circunstâncias da vida dele e eu teria compreendido, ele foi covarde e sumia. Nunca se perguntou como eu me sentia, o que poderia estar passando pela minha cabeça e nem que eu poderia estar esperando alguma satisfação dele, nem que fosse para seus sumiços. 

Penso então se alguma vez em todo esse tempo ele percebeu que poderia ter sido mais que uma história, poderia ter sido A história. Papel esse que ele passou adiante e hoje talvez eu esteja pronta para experimentar com alguém que se importe com o que sinto. Se ele em algum momento questionou suas atitudes e como eu me sentia, as mágoas que ele causou em mim. Porque fiquei muito, mas muito magoada e perdida, sem saber o que pensar, se fui eu quem errou ou se havia acontecido algo mais grave, nada. Só um vácuo e nada de respostas. Até que um dia cansei de esperar alguma resposta e resolvi largar ele de mão, de vez. Uma pessoa não pode tratar a outra como se ela não sentisse, não se importasse.

Então percebi que aquele cara muito legal e sensível era também muito confuso e perdido, que se colocava em um tiroteio na vida dele sem saber como agir e o que esperar disso. Que ele sentia que agia errado, mas que não mudava suas atitudes. E que ele deixou passar uma pessoa com quem poderia realmente ter uma relação equilibrada, sem manipulações e controle, uma relação adulta entre pessoas que se gostam. E percebi que de todos os papéis que ele poderia ter representado na minha vida, entre eles de O cara, ele escolheu o papel de ser um passado, uma história que veio e se foi assim, sem deixar rastro.

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