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O pão e as migalhas


Vivo uma fase muito boa em minha vida, mas que apresentou seus reveses. Renasci há algum tempo e, desde então, reaprendi tudo sobre mim. Inclusive, uma frase que ecoava em minha cabeça, no início desse período, é que me sentia engatinhar. Estranho? Não se você me conhecesse, aliás, não se você SE conhecesse. Sempre que a vida encerra um ciclo (e que, na maioria dos casos é longo, muito longo) nós recomeçamos, renascemos, reconstruímos, evoluímos. Quem passa incólume à vida e seus constantes e bruscos reveses, chacoalhões, terremotos, mutações, é um zumbi, um morto-vivo, uma pessoa indigna de se intitular VIVO. Quem vive, cai, levanta e anda, algumas vezes, corre. Você está lendo até aqui e provavelmente pensando que tive alguma doença grave. Não, minha única doença foi relutar muito em dar fim a um relacionamento. Foi muito difícil para mim, já escrevi e cansei de falar sobre.

Até hoje, não entendo como pude aceitar migalhas em minha passada vida afetiva. Como aceitei pouco carinho, pouco afeto, pouca preocupação, pouca admiração, pouco estímulo, poucos elogios, pouco cuidado, pouca importância. Por mais que eu acredite que tenha sido um castigo pelo meu excessivo orgulho, ainda assim, foi demais. Sei que não sou uma pessoa que sabe conduzir esse jogo do relacionamento (sim, estou me convencendo de que é um jogo mesmo, que esse tal de amor, essa tal de reciprocidade não existem), mas sei que tenho boas intenções. E jurei nunca mais aceitar pouco de ninguém. Sem essa de que não tenho tempo, estava ocupado, quem se importa, manda uma rápida mensagem, telefona para dizer que pensou em mim, faz uma visita surpresa, sei lá, qualquer atitude que demonstre minha importância em sua vida. Mas as pessoas se economizam afetivamente e procuram alguém que não exija tanta doação. Economia de amor e desperdício de tempo, lemas da vida moderna. Eu cansei disso, ou me dá tudo ou esquece. Porque sei que se me envolver, será para valer, então, pegue a minha mão e vamos nos  jogar. Caso contrário, até nunca mais.

Minha auto-estima está ótima. Não preciso provar nada para ninguém, não preciso de um homem para me reconhecer como mulher, para ter status, posição social, reconhecimento, nem dou bola para essas futilidades. Sou eu quem faz meu caminho, meus méritos vêm de mim e não do outro. Sem essa de encher a boca para falar "marido", sem essa de exibir aliança, sou da opinião de que boas parcerias não precisam de algemas, mesmo as de ouro. Hoje, quero o pão inteiro e não migalhas, quero um parceiro, alguém para ser uma dupla (quem sabe formar um trio, com um bebê fofinho?), alguém em que eu possa confiar. Alguém que arrume tempo para mim, alguém que se doe. Eu? Também me doarei, mas antes, preciso ser conquistada, ter meu coração bem agarrado. Prove que merece ser amado por mim e serei sua, sem paranóias. 

Amor, a gente dá de graça. Saiu caro, não é amor. Quando precisamos pedir amor, atenção e carinho, onde uma pessoa só fala que nos ama por conveniência, medo de perder a relação e o brinquedo (nós), já acabou. Ultimamente estou cansada de conhecer alguém, de ter pouco, das esperas. Cansei mesmo, sabe. Prefiro minha caverna assustadora, meus pensamentos e a vodka. Sou eu muito antes de ser um "nós" e acho que essa é a grande diferença em todo esse tempo. Agora, se você for Homem o suficiente e estiver muito interessado em segurar o rojão de estar comigo, não seja otário. Tenha pressa, porque minha paciência se esgotou há tempos, gastei minha cota em um relacionamento anterior. Se desamarre, mas não desanime.  Apesar de ter opiniões ora fortes, tenho um coração. Que pode ser seu.

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