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As canções e os filmes


Estava pensando em um texto, que nem lembro quem escreveu e há quanto tempo li, mas sei que faz alguns anos. O texto explanava sobre como os romances são marcados pelas canções e pelos filmes e sou um exemplo disso. Por vinte anos vivi uma espécie de limbo afetivo, tormentoso, defensivo, caótico. Tive algumas paixões malucas e um relacionamento muito longo, mas o engraçado é que as canções e os filmes que lembro são de um ano atrás, mais ou menos. Eu vivi esses vinte anos em uma espécie de sombra de  mim, não consigo reconhecer a pessoa que sou hoje com aquela, mas somos a mesma, apenas duas facetas de uma mulher. Sempre gostei de música, sempre associei canções aos meus momentos, mas os tais vinte anos viraram fumaça sonora. Hoje tenho certeza de que amadureci, evoluí e amansei, era estilo metralhadora giratória até meus vinte e seis anos e permaneci uma rebelde sem causa até os trinta e seis anos. As canções que poderiam lembrar alguém são apenas canções, muitas delas, eu gosto de ouvir em meus momentos de melancolia ou apenas para curtir. O engraçado é que a pessoa que eu era aos meus dezoito anos parece que ressurgiu e meus textos são a prova disso. E foi uma insondável equação afetiva que me trouxe de volta às palavras e aos poemas. E transformou canções e filmes em significado e saudade.
Minha mais remota lembrança de uma canção é Every breath you take, que lembra meu primeiro e forte sentimento, há 21 anos atrás, mas não lembro de nenhum filme. E, depois, nada. Mas, há mais de um ano, conheci alguém e  ouvi com ele o disco da Adele, por isso, Someone like you e Rolling in to the deep lembravam fortemente ele. "Água para elefantes" é um filme que lembra a mesma pessoa, afinal, quem pode contar que recebeu uma mensagem no celular às seis horas da manhã recomendando assistir ao filme, que era lindo e fazia lembrar você? Como esquecer essa mensagem, como esquecer a emoção que tive ao ligar meu celular pela manhã e ler, foi ... lindo. E, no mesmo dia, à tarde, receber uma ligação perguntando se você recebeu a mensagem e reafirmando que você tem que assistir ao filme. Nem preciso esclarecer que fiquei feito louca catando o dito, hehehe. Ele explicou, em outra circunstância, que tinha vontade de arrancar a atriz da tevê, porque tem o corpo parecido com o meu, lembrava mais e mais de mim. Sei que mexi com ele, sei que revirei um tanto seu mundo, mas durou pouco. Ele foi o homem que falou o que sempre quis escutar, mas não o sabia e não eram frases feitas ou clichês, sei que foi sincero. Foi com ele que percebi porque nunca tinha sentido meu coração vibrar antes. São os homens sensíveis e carentes que me atraem e não os altos e fortes estereotipados.
Em seguida, conheci um por quem me apaixonei muito, mas hoje, olhando para trás, vejo que foi uma brincadeira que nem percebi quando ficou séria (ao menos para mim). Acho que não eramos destinados um ao outro, mas ele também era sensível e muito carente, embora fingisse que não e se escondesse atrás dos seus problemas. Mas, sei lá, seu jeito de ser, a atração que tínhamos um pelo outro, meu momento, as longas conversas, não sei dizer. Me apaixonei por ele, mas acho que meu Destino nunca foi ficar com alguém tão perdido em seu mundo. Dele, lembro do filme "Diário de uma Paixão", quando assisti era impossível não associar o personagem Noah a ele, impossível não ver o mesmo jeitão atrapalhado e bucólico. Chorei copiosamente, até por eu ter caído fora da nossa relação há pouco tempo, na época. A canção que me faz lembrar ele é Ana e o Mar, do Teatro Mágico, não por ter escutado ao seu lado, mas por refletir sobre o que a canção dizia, "Todo sopro que apaga uma chama / Reacende o que for para ficar".
Ontem, assistindo ao filme "Um Homem de sorte", pensei em alguém que conheci há pouco tempo, alguém tão cheio de dúvidas e procurando seu lugar no mundo quanto o personagem. Chorei copiosamente enquanto devorava meu cheeseburger e o molhava com doses generosas de molho de pimenta. Até o lanche lembra ele, parece que acha meio comunzão, hehehe. Nem sei como conseguia enxergar as cenas do filme, escorriam lágrimas pelo meu rosto. Pensava no Destino (ainda pego esse safado que só me apronta) e não é que o filme tinha exatamente esse tema? Sincronia pura minha amiga ter locado e emprestar para que minha solitária noite de domingo fosse menos árida. É, a vida tem desses momentos. E Romeo and Juliet, da Dire Straits lembra tanto, mas tanto ele que nem sei porquê. Exatamente por isso tem sido minha trilha sonora nos últimos tempos, juntamente com tantas outras que lembram quase amores, quase relações e tentativas frustradas.
Entre tantas pessoas que poderia ter conhecido e por quem poderia ter sentido o que esses três importantes homens me fizeram e fazem sentir, foram eles, em uma maluca coincidência e ordem caótica que mexeram com meus sentimentos. Foram eles que transformaram bons filmes em emoção pura e saudade profunda. Saudade do amor que nunca senti, das relações que poderia ter vivido e não vivi, saudade de quem eu poderia ser ao lado deles e não fui. Mas sei que tenho um coração que não é de pedra, como acreditava. Sei que sou capaz de entregar intensa e profundamente meus sentimentos, minha emoções, meu coração e minha vida. Sei que posso sentir uma vibração intensa em meu coração. Apenas espero que alguém venha reivindicar sua canção e seu filme. E que eu não precise mais ter uma sucessão de filmes e canções. Quero apenas um filme e uma canção, por favor. De preferência, eu e meu ator preferido, um musical que fale de amor e vibração, de entrega e alegrias, de sorrisos e parceria.

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