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Suicide Sex


Sexo rápido, sexo fácil, sexo. Então é nisso que virou nosso mundo, uma encoxada aqui, um lençol amarrotado ali e pronto. Tchau, até mais, quem sabe o número do telefone, e fica por isso mesmo. Aparências, futilidades, fast-food de gente. Tenho a impressão de que as pessoas ficam sem rosto, sem formas, são só um pedaço de carne andando na rua, comprando no mercado, dirigindo carros, enfim, pedaços. Riso fácil, diversão garantida. Um gemido e pronto! Milagre do nada realizado. Não sou adepta do sexo casual, sem compromisso, embora tenha cometido esse deslize alguma que outra vez, sem seguir as regras do mundo moderno. Não sou de vários parceiros, repetia o cardápio, por mais horrível que seja chamar alguém de cardápio. E, mesmo assim, acho vazio, fútil, sem sentido algum. Não aprendo nada sobre mim, ou melhor, tenho mais certeza de que não me serve. Prefiro a abstinência de pessoas ao desperdício de energia que assola essa gente toda.
Sei que o mundo está cheio de apelos fáceis, mas sei, inclusive, que gosto de ser eu mesma e ter pensamentos próprios. Não vou entregar meu corpo e minha energia para uma pessoa que significa tanto para mim quanto uma carteira vazia e vice-versa. Eu sei que sexo pode ser mais que sexo, pode ser um encontro, uma troca de afeto, de amor, por mais selvagem e maluco que seja na cama, no sofá, na mesa... Dois nunca serão um, mas é uma oportunidade de duas pessoas realmente dedicar tempo e energia em fazer o outro feliz, em dar carinho e atenção exclusiva. Entrega, essa é a palavra. Quero entregar meu coração junto com meu corpo e que seja valorizado, que um homem se realize por saber que é o causador dessas emoções. Quero felicidade cotidiana e não euforia passageira, destinada a acabar. 
Sexo praticado sem critério é sexo suicida. Afora os riscos de transar sem prevenção, há a cegueira que a situação causa. Ficamos cegos ao que realmente interessa por deixar uma vaidade qualquer invadir nosso pensamento; pode ser que que uma pessoa que realmente significa para nós se vá pela nossa incompetência em valorizá-la. Mas, tudo certo se você se sente bem vivendo assim, eu não me sinto. Prefiro evitar à chegar em casa e me sentir sozinha e vazia. Quero amor, sexo, intimidade e parceria, se eles ainda existem. Enquanto não chegam, fico levando a vida de uma maneira que me agrada, que me realiza. Mesmo que sozinha, em boa companhia das amizades e do meu cachorrinho.

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