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De Mulher-Iceberg / Para: Homem de Gelo



Tenho pensado muito em você, na verdade, sinto muita saudade, muita mesmo. Saudade daquele homem que conheci em uma noite, num bar, ao som de Pink Floyd. Dos olhos que me fixam vidrados. Sabe, acho que aquela noite enxerguei fascínio em você. Seus olhos mergulharam nos meus, sem equipamento de mergulho, sem medo, até porque acredito que por não esperar e não desejar foi que aconteceu. Tenho saudade dos seus olhos me fitando, com esse seu jeito inseguro, que você não admite, mas é. E eu não facilito nem um pouco, em vez de pontes, ergui um muro entre nós.

Você também não ajuda ou não quer, pelas suas atitudes acredito que conheceu alguém. Mais uma vez, espantei, acho que não tenho jeito para essas situações. E o mar revolto que é teria dificuldade em romper meu muro, talvez não queira. Talvez não queira meu coração ou não quer dar o seu. Por isso, escrevo essa carta para você. Jurei nunca mais fazer nada, mas as palavras pediram passagem, transformando em uma bagunça os meus pensamentos. Usei o presente que me deu, é uma maneira de sentir você perto. Aliás, foi o presente mais tocante que recebi na vida, pois  planejou com carinho, pensando em mim. Não tive muitas palavras para agradecer, mas me emocionei, tão lindo, cheio de carinho e cuidado, usar me dá a sensação de que está perto de mim, tocando minha pele. Shiva está em minha mesa de cabeceira, velando meu sono. São gestos como esse que me agradam muito em você, me surpreende. Tão sutil e delicado, tão lindo e mágico. Você, na verdade, é o grande presente.

Podem dizer a você que estou sempre festeando com as minhas comparsas, mas você sabe que não sou leviana. Também não vou paralisar minha vida porque não me quer. E não venha com esse papo de que não quer me magoar, que não sabe quem é. Sabe sim, é o menininho com seu brinquedo e que tão indefeso aprendeu da pior maneira como alguém pode nos ferir. Meu caro, queria poder dar um colo para você e dizer que tudo vai ficar bem. Queria ser eu a estar com você em seus momentos difíceis, silenciosa (sim, sei ficar quieta, por mais incrível que isso pareça), ali, ao seu lado.

É ótimo me perder em seus olhos, ver como me vê. Suas retinas são o espelho perfeito para esses turbulentos e impulsivos olhos verdes. Mas não se preocupe, tento me domar, mas admito que não é tarefa fácil. Tenho raiva de você, mas acho que faz parte dos meus complexos mecanismos de defesa. Sei que fica inseguro e que tem algum ciúme, pare de bancar o moderninho. Diz que não gosta de gente ciumenta, mas adora como fico fula com a possibilidade, gosta de ver meu turbulento oceano verde crispado de ciúme. Mas não fico bem na sua estante, meu lindo, não quero ser sua muleta, meu desejo sabe qual é. Você mexe comigo, relembrou que estar com alguém pose ser mágico e poético.

Por esses motivos e outros inconfessáveis é que tenho saudade. Você é um tanto como eu, a diferença é que eu admito o medo, você não. Mas ter medo não é ser fraco, fraqueza é ser vencido pelo medo. A coragem é a capacidade de romper com essas barreiras, se sobrepor às inseguranças e arriscar. Não é fácil, a covarde de carteirinha aqui sabe bem disso. Admito ser desajeitada e sombria, mas tenho alguns motivos, tento fazer diferente, mas nem sempre consigo. Por isso, resolvi escrever, tenho esperança de que leia. Seu bobo, fica fugindo de si, andando em círculos. 

Como complicamos tudo, não é? Tão fácil ser feliz, mas acabamos nos envolvendo com quem não nos compreendeu e agora estamos assim, meio perdidos. Tempo e vida desperdiçados. Mas saiba que estou roxa de saudade daquele cara que me abordou e foi se chegando, mandava mensagens, telefonava. Quando ele voltar, quem sabe possamos ser nós de novo, sem muros e sem máscaras. Bom, a não ser naqueles momentos, digamos, mais perversos e divertidos que só nós sabemos ter. Beijos, meu lindo Homem do Gelo.
Ass Sua Bruxinha Iceberg

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