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Quando a vida parece um filme


É um momento ou uma situação em que você se dá conta de já ter presenciado uma cena ou história parecida com a que está vivendo. E lembra de um filme. Pois é, nesse final de semana percebi que minha vida, no momento, é o filme A Casa do Lago. Tive um estalo e entendi perfeitamente a metáfora da película, em que os apaixonados vivem em tempos diferentes, ele no passado e ela, no futuro, trocam correspondências, mas nunca se encontram. Por um momento apenas, dançaram, conversaram e é nessa cena em que se encerra todo o drama do casal, eles não se reconheceram. E sei o que é não reconhecer, em um sentido intangível, a pessoa que está em sua frente, não perceber que pode ser Aquela pessoa, A pessoa. Existe sim esse Alguém tão especial, definitivo e mágico em nossa vida e ainda bem que os loucos, poetas e românticos que andam sobre as nuvens, como eu, acreditam nisso. Ainda bem que sonho, de olhos abertos e coração vibrante, ainda bem que acredito e confio, ainda bem que vivo.

A casa representava o amor deles, é nesse amor que eles são inteiros, são únicos, são eles mesmos, sem máscaras. "O homem que nunca vou poder conhecer é o único ao qual gostaria de entregar meu coração". Sempre gostei do A Casa do Lago, sempre achei surreal e etérea aquela história, mas agora a compreendo, agora sei o que significa não ser o momento da relação, agora entendo que uma morte precisa acontecer para que o verdadeiro encontro seja possível e não é uma morte física, jamais, é a morte figurada de uma idéia, neurose ou experiência. É a morte que abre as portas para um vida nova ou renovada, para novas emoções, um sentimento profundo; só é possível viver após morrer, só é possível reconhecer Aquele alguém após a morte do comodismo, do lugar comum, só após essa morte é que é possível, mesmo com medo, arriscar-se a esse vôo no escuro. Afinal, a vida é um risco. Viver é a maior aventura, como disse Peter Pan. Eles se correspondiam apesar do que os amigos e familiares diziam, eles acreditavam em seus sentimentos e quantas pessoas podem afirmar o mesmo sobre suas relações? Quantos casais podem ser convictos do que sentem, das suas escolhas? Quantas pessoas seguem realmente seu coração, sua intuição? Quantas vezes desviamos a rota apenas para encontrar um desfiladeiro e um arrependimento? Quantas vezes deixamos de ter atitude e esse Alguém escapa? 

A vida nem sempre tem um desfecho igual aos filmes, embora eu acredite que pode superar a beleza e singularidade destes. Meu coração não dói e nem espera. Meu coração está em um suspenso, um entorpecimento. Sei bem o que a personagem da Sandra Bullock passou ao escrever a carta da despedida, embora ela não soubesse que ele havia morrido. Agora me é perfeitamente compreensível a coragem que teve para largar seu então noivo e ir até a casa do lago e escrever a derradeira carta, aquela que faria o personagem do Keanu Reeves mudar o curso da morte e viver para encontrá-la, é então que o casal está no momento presente e realmente pode viver a relação tão impossível enquanto irreal, tão possível quando se faz possível. Eles não eram os adequados um para o outro, eram certos um para o outro e acredito que esse é o real dilema da maioria dos casais: a adequação aos olhos da sociedade, dos amigos, dos familiares. E é nessa adequação que enterramos nossos sonhos e planos, nossos projetos mais poéticos e uma vida improvavelmente real. Uma vida tangível de afeto e trocas, de encontros cotidianos e conversas através dos olhares, de piadas particulares e uma história para contar. Aos filhos, aos netos e aos que quiserem e puderem escutar e entender a beleza de um encontro mais que físico, que se fez no plano das nuvens. Que se fez nas estrelas e na Lua, no céu e no Sol, na curva de um sorriso e no toque de um beijo.

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