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As brigas nossas de cada dia


Para variar um pouco, li um texto maravilhoso de um cara que acho fantástico pela sua visão de mundo, posicionamento sobre as relações, maneira de escrever, tudo, ele é o máximo, o nome é Frederico Mattos. O texto fala sobre as brigas em uma relação e como podem minar a mesma. Fiz um comentário que inspirou meu texto, pois o autor perguntou que tipo de expectativas temos ao entrar numa relação e como as expectativas irreais podem levar aos desentendimentos. Eu acrescento que nem todos entram apaixonados pela pessoa em uma relação, podem estar projetando uma vontade ou simplesmente se envolvendo por carência. Daí, é um pulo bem curtinho ou um pouco mais comprido para aquela chata, sabe, aquela atitude incomodativa: a discussão da relação. Quem não passou por uma, que atire a primeira pedra. Ou que não tenha sido protagonista da dita. 

Eu parto do princípio que devemos primeiro pensar bem se a paixão é pela pessoa que acha que o outro deve ser ou pelas suas necessidades de ter alguém. Daí, gente, nem com reza braba o relacionamento tem salvação. O mundo está cheio de gente maluca, perdida e confusa, cheia de medos e que se economiza afetivamente por medo de perder. Então, ou se cai fora antes de começar (se nosso rico coração está vibrando feito louco) ou sem nem perceber, entramos em uma relação um tanto quanto patológica, em que esperamos que o outro mude, na verdade, se transmute em quem não é para atender nossas necessidades. Daí, pergunto: de quem é a culpa? Do primata bípede que se apresentou ou nossa, que fugimos das nossas escolhas afetivas verdadeiras e que somos perdidos? Gente perdida atrai confusão e falta de amor.

Eu sei muito bem (afinal, são anos vivendo comigo, hehe) que tenho uns surtinhos bestas em que faço beicinho e penso que ele não quer falar comigo, está me evitando ou caçando (perigueteando, né gente). Acho até que é uma auto-sabotagem minha, como conversamos eu e minhas amigas, sobre o fato de que homens não tem apenas mulheres em seu pensamento, mas, também, responsabilidades, despesas e planos que não vivem sustentados apenas com   os nossos beijos. Vejo como neurotizamos a vida, eu e você que está lendo. Como procuramos pelo em ovo, como somos afobados e descrentes. Como nos envolvemos em relações fadados ao fracasso eminente ou futuro apenas para suprir necessidades emocionais nossas. Melhor ficar sozinha que em guerra numa relação pela metade e sem amor. 

A relação baseada em amor e vontade de fazer dar certo é a mais certa, mas como somos indefinidos, queremos estragar, fugindo, brigando, cobrando, depositando nossos medos e traumas em cima de quem nem os causou. Seria tão simples se não depositássemos nossa adolescência frustrada em alguém. Querer atenção 24 horas, mensagens consecutivas e telepatia é um tanto infantil, não acha? Francamente, meter na sua cabeça doente que não é só sacanagem e em você que o outro pensa facilitaria muito a vida. A sua, a minha e a de quem tiver a sorte de se envolver conosco. Sorte nossa, também, né? Mais amor, mais carinho e mais leveza, por favor!

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