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Intimidade que não precisa


Como sou uma pessoa antenada e relacionada com o universo blogueiro, volta e meia leio algum texto que relembra discussões e conversas com minhas amigas sobre algum assunto e um deles que rende muito é o excesso de intimidade. Na verdade, acredito que intimidade é saber o que o outro pensa só de olhar e a energia boa que acontece entre e fora dos lençóis, mas como nós, primatas bípedes, damos nomes a tudo, chamamos de intimidade o que muitas vezes é relaxamento, ah, tá, porquice mesmo (nem os porquinhos são nojentos). Assuntos relacionados ao banheiro, aos hábitos, acho que são questão de educação, mas vamos lá, que tem muita gente educadinha que é tremendamente invasiva quando o assunto é vida a dois. Que acredita que arrotar e soltar seus perfumados e barulhentos gases perto do outro são sinais de amor e intimidade, por exemplo. Cruzes, prefiro a BR 101 ao meio dia e movimentada do que isso.

Os gases. Eles acontecem e existem, principalmente quando a pessoa come mais do que precisa ou mistura repolho, feijão, brócolis com carne gorda ao meio dia. É natural e faz parte da fisiologia humana, mas vamos e venhamos, podemos passar sem isso. Eu mesma já estive em apertos quando esses bandidos deram as caras, mas segurei firmemente. Ao chegar em casa, fui ao banheiro e resolvi o problema, não sem antes carregar uma caixa de fósforos e perfumar com um bom perfuminho o WC (popular vandeco). Mas é extremamente desagradável e pode ser evitado, é só ser educado e respeitar o espaço alheio. Banheiros e sacadas existem para isso e não precisa ser alardeado, a não ser que o outro venha atrás, então, seja criativo. Se fizer comigo repetidas vezes, me vingo, ah me vingo. Falando sério, uma pessoa que tem esse problema, precisa mudar a dieta e os hábitos. Ou então que viva sozinha, porque ninguém merece um porco peidorreiro por perto. E tenho dito.

Os arrotos, cruz credo! Coisa mais medonha e pode até ser sinal de que gostou da comida em alguns países, mas eu, sinceramente, acho de um total desrespeito para com quem está por perto. Tem gente que acha lindo peidar e arrotar perto do outro e ainda diz, cinicamente, que é amor e intimidade. Francamente, AMORtadela. Entre amigos e amigas até pode rolar, escapar, mas numa relação a dois, onde você dorme e acorda com aquela pessoa, é um horror. Eu pego nojinho, sério. No meu caso, me sentiria como aquela mãe que tem um filho grosso, mal-educado e que mata de vergonha a família. Impossível manter o tesão nessas situações. Mas você tem uma certeza: pode suspender o veterinário que o bicho deu sinal de vida. 

Um tema que desperta acirrados debates entre eu e minhas amigas é o banheiro e seu uso. Eu sou uma ferrenha defensora do total e irrestrito isolamento enquanto efetuo a higiene pessoal. Francamente, xixi e cocô de porta aberta é uma falta de educação e respeito com seu parceiro. Ouvir seu amado parecendo as Cataratas do Iguaçu ao ver jorrar o líquido amarelo faz a vontade do boquete ir para o raio que o parta. E cocô, então, sem comentários. Já ouvi mulheres, sim, mulheres, afirmar que não se importam nem um pouco em dividir o odor acre de seus dejetos com o amado (ele ali dentro ou a porta aberta, eca!). Claro que fica um cheirinho no banheiro e tal, mas fósforos e um spray específico ajuda bastante, se você respeita a pessoa com quem convive. E, claro, deixar as básculas do banheiro abertas. Sei de gente que faz cocô e fecha qualquer janela. Deve ser tara, só pode. Acho o fim da picada, sinceramente. E qual o homem que vai ter tesão em se lambuzar nos recônditos segredos de sua amada ao vê-la defecar e urinar,  eu, fosse homem, nunca mais olharia para aqueles buraquinhos com a mesmo gulodice. Enfim, tem gente que gosta, não é meu caso. Ah, lavar bem as mãos com muito sabonete, por favor, água não mata bactérias e mão fedidinha de cocô, eca! E escovar os dentes também é um hábito solitário e efetuado com a porta fechada. O que é do banheiro, fica no banheiro (a não ser um maravilhoso sexo embaixo do chuveiro ou na banheira) e é um segredo seu e do WC. Simples.

Tem um segredinho de vovó que acho interessante: nunca se arrumar na frente dele. Aparecer linda e cheirosa como se fosse mágica (embora ele possa ter esperado por essa aparição divina) dizem ser um poderoso afrodisíaco. É o mistério de como você consegue ser linda e usar todos os aparatos com tanta segurança instiga a imaginação dele. Não sei, em caso de apartamentos pequenos é meio complicado, mas vale a pena tentar,  até porque, pensa só, um homem se irritaria ao ver toda aquela maquiagem espalhada pela pia. Logicamente que surgir de lingerie, de vez em quando é ótimo, mas aquela calcinha bege e sutiã encardido de usar para dormir, malhar ou porque você gosta não vale. E o mistério vale para os homens (embora eu ache super, mega, hiper sexy ver um homem vestir sua cueca boxer, uau, me arrepio!). 

Outra nojeira é espremer cravos e espinhas, eca! Acho nojento, asqueroso e uma falta de educação, porque os casais praticantes dessa gosmentice esquecem onde estão e praticam esse hábito na frente de quem quiser ver. Aconselho a manter distância de um casal desses, principalmente se você almoçou há pouco. Já me pediram para espremer uma espinha e minha reposta foi "quer que eu vá embora?". Me peça para escalar o K9, mas não me peça para espremer uma espinha ou cravo. Estou fora!

Um hábito que me anoja é mexer nos cabelos enquanto se está à mesa. Imagino fios de cabelo, mesmo que masculinos, voando pelos pratos e comida. Uma falta de educação e de respeito. Ou fazer estalidos com os dentes e a língua, esse péssimo hábito, todos os dias, me faria pegar a vassoura e sair voando. Ou descer a vassoura na cabeça dele. Acredito piamente que há pessoas que fazem de propósito serem irritantes ou relaxadas. Não sei o que ganham com isso, mas deve ser alguma perversão. Obviamente, se você vive ou convive com alguém, uma hora ou outra escapa algum som ou gás e se há apenas um banheiro (muito comum nesses apertamentos de hoje) acontece fazer xixi enquanto o outro se banha. Mas que seja raramente e não sempre, é uma quebra nos mistérios que uma relação deve ter. Quebra a magia de se estar com alguém e a vontade cotidiana de inventar e se reinventar. Bons hábitos de educação devem ser aplicados não só aos estranhos mas, também, a quem é de sua convivência íntima, significa respeitar o outro, dar privacidade e espaço sem que haja essa invasão nociva. Se for para vivenciar alguma situação, prefiro trocar fluídos através de beijos ou do sexo. E deixar todo o resto para a segurança do banheiro.

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