Pular para o conteúdo principal

Pegue seu violão, amor

June Carter e Johnny Cash


Você, que toca várias cordas e acordes em seu violão, que arranca sons de cada canto em que se instala, toque meu coração. Você, que faz minha garganta arranhar cantando junto, que faz meu corpo balançar, toque meu coração. Você, que inunda o meu mundo de música, toque meu coração. Você, que tocou tantos corpos, que arrebatou tantas almas, que rompeu preconceitos, que manteve sua autenticidade, toque meu coração. Você, que venceu suas fraquezas, que assumiu suas fragilidades e se fez forte, toque meu coração. Você, que transformou meu mundo em música, toque meu coração. Tocar o corpo de uma mulher é fácil, mas tocar o coração dessa mulher aqui, talvez seja sua composição mais complexa.

Escreva notas musicais em minha vida, amor. Componha sua sinfonia particular em cada um dos passos que damos. Me transforme em sua musa e seja meu muso. Me inspire, babe. Me transpire, componha seu suor em minha pele, amor. Faça de minha vida um dueto com a sua, quero ser sua melhor "partner". Mas, para isso, toque meu coração, suspire por mim, se inspire em mim. Me componha, babe, me confronte. Mas não afronte meu coração, amor. Conquiste seu prêmio mais suado e almejado. Toque meu coração.

Toque minha alma com suas mãos e meu coração com sua alma. Seja mais do que fotografias na parede. Seja a realidade em meu rádio, babe. Seja a playlist do meu coração, em clave de sol ou clave de fá, tanto faz. Toque as cordas não afinadas da minha vida. Me afine, me assimile. Sem síncopes, desviando dos contratempos. Faça de nós duas vozes, Breves, semibreves, fusas, que seja. Mas toque suas cordas em meu coração. E que meu corpo seja seu melhor violão.

De uma June Carter para um Johnny Cash.

Texto inspirado em uma das mais célebres e surpreendentes histórias de amor do universo musical, Johnny Cash e June Carter. O amor que venceu muitas fronteiras, entre elas, a do medo e a do vício.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Amor é merecimento

Um rompimento sempre dá espaço às reflexões sobre o fim, quando escolhemos cair fora gostando muito da pessoa, ou quando há mais dúvidas do que certezas. No meu caso já fui muito magoada e caí fora porque não mereci o tratamento que recebi, mas isso já foi superado e essa situação me levou a perceber o motivo de me sentir tão entristecida. Pode ser que não seja possível escolher por quem nosso coração vai vibrar, quem vai nos fazer leves e tal, mas sentimos os primeiros sinais. Eu senti, mas fui cega para não perceber e cair fora antes. 

Apesar de alguém até contrariar esse meu pensamento, aprendi que amor é merecimento. Não vou mais entregar meu coração assim, por alguém que não faça por merecer, alguém que não demonstre muita vontade de estar por perto e que se importe. Sou naturalmente esquiva e arisca, apesar de já ter mudado bastante, sempre tenho a tendência à fuga. Mas quando sentimentos, emoções estão envolvidos, dá uma embaralhada, eu sei. No entanto, mesmo que sinta a proximi…

Sobre todas e todos os dias

Quando é noticiado violência contra a mulher, como agressões ou estupros, sempre há pessoas (entre elas algumas mulheres) atacando a vida e hábitos da mulher. Por ser sensual ou não, pelas roupas, por ter filho, pelo comportamento, o que, francamente, mesmo que fosse uma senhora freira, religiosa e que usasse um hábito tapando seus pés também seria motivo para essa cultura do estupro tomar forma. Fosse eu, você ou alguma parente ou amiga sua seria igualmente horrível e asqueroso o ato criminoso que homens cometem todos os dias contra mulheres. Na maioria dos casos não são loucos ou doentes, apenas terrivelmente mal-intencionados. 
E qual a parcela de culpa da sociedade nisso tudo? Toda a culpa. Quando hiper-sexualizam a mulher, objetificam e põe uma mulher contra a outra, quando a aparência é julgada, quando o desrespeito é a regra e incentivado, mulheres são e serão estupradas e abusadas todos os dias. Quando o não de uma mulher for interpretado como charme ou falso desinteresse, enqu…

Sua casa

Abra a porta, mas não chaveie,
a ideia de que esteja preso em mim
sufoca, 
quero você livre, se desejar ir
é porque meu coração não é onde gostaria de estar
Valorizo minha liberdade, logo, a sua é importante.
Mas não pense que, se a dúvida acometer,
aceitarei que saia e volte
Mas, se voltar
Traga a sua certeza
Partilhe sua vida comigo, mesmo em silêncio
Gargalhe, sorria
Você pode ser a música que falta
Esse verso que escrevo
E a poesia que ainda virá
As janelas que abri
foram para esperar sua brisa
refrescar minha pele
Você pode ser a mão que me segura na queda
O abraço que consola meu pranto
E o sexo na madrugada de que tanto gosto
Se vier, que esteja faminto
de mim, de nós
traga sua vontade, seu carinho e seu peito
Minha vida é a sua casa
meu corpo é sua cama, seu prato, seu lençol
Sua camisa é meu pijama
Sua saliva, meu antídoto
Minha pele será familiar
Serei sua casa, seu lar
Seu abrigo, sua proteção
E seu abraço, será, por fim
Meu lugar preferido no mundo.