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As respostas



O mundo de hoje é um grande e imenso mercado de "seu gostoso/sua gostosa", de pessoas querendo corpos perfeitos, de "eu te amo" a granel, vendido em qualquer banquinha de esquina, de pessoas que buscam imediatismo e aparências. Fiz duas perguntas a algumas pessoas, entre homens e mulheres e a resposta foi praticamente a mesma. As perguntas - O que você quer de uma relação? Como quer se sentir quando está com alguém? De uma maneira ou outra, não souberam responder. Sabemos o que não querer, mas essas duas importantes questões não são feitas. Sabe como obtive as resposta para as minhas? Quando parei de me apaixonar, há algum tempo atrás e comecei a me envolver. Como assim? A euforia, o frenesi da paixão desapareceram da minha vida misteriosamente quando alguém surgiu e fui presenteada com a alegria de conhecer um coração, uma alma na figura de um homem. Descobri, então, porque a sensação de não-algo acompanhava várias de minhas paixões e relações, pude, então, obter a resposta para as perguntas mais difíceis de responder. As minhas respostas? É sobre elas que dissertarei adiante.

Uma amiga respondeu que deseja se sentir bem. Respondi a ela que chocolate também a faz se sentir bem e ela não pretende namorar uma barra de chocolate ao leite. Sentir bem, alguém que me trate com carinho, ser feliz são respostas gerais. Outra disse que quer segurança, respondi que um policial também a deixaria segura. Homens são ainda mais perdidos, dizem querer uma companheira, mas não sabem o que desejam em uma parceira de vida. Uma que goste de transar, que não reclame, não seja ciumenta, etecétera. Pessoas bonitas, de bom papo e fácil convivência. Agora, façam-se as perguntas: vocês são fáceis de conviver? Sabem controlar seu ciúme? Seguram a onda quando a situação sai do controle ao acontecer algum problema? Tem empatia pelo próximo? Conseguem manter uma vida independente do outro? Respondam primeiro a si e depois a essas duas perguntas que fiz.

É difícil identificar e se envolver por um coração, uma alma. Mergulhar fundo no pedido mudo de olhos que abrem um mundo para você, que pedem para que faça parte de sua vida. Difícil saber fazer e perceber quando acontece, compreender o outro sem emitir uma palavra. Difícil ficar junto e apoiar nas dificuldades, dedicação. Muitos confundem posse, manipulação e controle com amor. Confundem, também, a dor com amor. Desejar mudar o outro ou manter-se distante da bagagem de vida do outro. Mas é nas tempestades e na capacidade de aceitar afastamentos necessários (não rompimentos) que a realidade das relações se apresenta. Na compreensão do outro e na procura por um igual, alguém que acrescente e não apenas figure em sua vida e nas suas redes sociais.

Já afirmei, em algum dos meus textos, que se envolver com um homem cheiroso, bonito e divertido é fácil, mas com a sua história de vida e como lida com ela é o mais difícil. Acredito que várias relações sucumbem aqui, pois lidar com a bagagem de alguém, se envolver não só com uma pessoa, mas com a sua história, dores e traumas; batalhas, vitórias e derrotas, alegrias e tristezas é difícil e exige, inclusive, auto-conhecimento, compreensão e tolerância. Principalmente, exige envolvimento, vontade de mergulhar na alma e no coração de alguém, ou seja, disposição para conhecer realmente aquele homem que está ali, sorrindo para você. A paixão não proporciona isso por ser uma projeção do nosso desejo, carência ou neurose. Aos que não conhecem, paixão tem, em sua origem etmológica, o significado de sofrimento, doença, excitação. É conhecido que colapsaríamos se vivêssemos em constante estado de paixão. Teria, portanto, uma raiz egóica. Por esses motivos, identificava facilmente minhas paixões, mas, subitamente, fui tomada por uma emoção diferente, assustadora e nova: o envolvimento. Identifiquei estar assim algum tempo depois, como sempre sou a última a saber o que sinto.

Portanto, faça essas perguntas intimamente, entenda como a sua cabeça funciona e como quer a sua relação e como quer se sentir, que tipo de pessoa realmente pretende para sua vida. Descobri as respostas, ou as percebi, quando conheci alguém que olhou minha alma e me compreendeu sem que eu dissesse muito. Alguém que eu não soube lidar e, com meu habitual comportamento blasé, deixei inseguro e confuso, mas que ensinou mais sobre mim em dois meses do que a vida inteira que tive antes dele. Graças a ele, hoje soube perceber e compreender meus sentimentos e os aceitar. E, hoje, sei exatamente a pessoa certa para a minha vida, como desejo me sentir na relação e a relação que pretendo construir, um dia, com alguém. Com o homem que for o certo.

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