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Manual do encontro




Não me importo que ele esteja confuso, que não tenha todas as respostas. Nem ligo se diz que não me merece. Não me importaria de esperar que se resolvesse. Contanto que me dissesse, que falasse o que se passa em seu coração. Não ligo que não seja lindo, rico ou perfeito. Quero apenas que seja assim, confuso, sensível, imperfeito e até meio perdido para assumir o que sente, desde que sinta. Sinta uma bobeira legal, um atordoamento, uma sensação maluca e tranquila. Se pedir para esperar, espero sim. Desde que faça me sentir especial, desejada. Sim, você não sabia onde eu estava. Sempre aqui, você é quem me procurava e não encontrava. Você é quem se perdia em descompassos, desamores, enganos. Eu estava nesse mesmo lugar, também me desenganei, também descompassei, mas sabia da sua existência. Seu rosto e sua voz me são desconhecidos, mas sua energia me procurava, tocava e avisava de que chegaria. Pois bem, estou aqui. E agora?

Você demorará a me reconhecer, tão perdido nesse seu mundo de gente vazia. Você que renegou ser sensível (também o fiz), que fingia pertencer a esse grupo que não lhe diz nada. Você que pensará ser eu a mais maluca das mulheres que conheceu, a mais falastrona, a mais impossível. Você que relutará em gostar da minha maquiagem, das minhas roupas. Você que admirará meu jeito de ser, essa personalidade complexa que lhe surpreenderá. Você, só você que conseguirá com que eu faça as escolhas nunca feitas. Você, amigo. Você, que não procurei e um dia encontrarei. É para esse encontro que escrevo.

Jamais me desafie, aceito e desapareço. Sou teimosa, pode doer, mas não procuro, não imponho minha presença. Mesmo querendo demais, sabe como é, orgulho e teimosia são uma combinação perigosa. Sou péssima em testes. Clichês mornos não convencem alguém como eu. Entenda, sou um abismo. Mergulhe com fé e medo, estarei em cada canto esperando. Se sair machucado, lhe curo. Se doer, consolo. Não tenha receio. De medos, cavernas e voos entendo como poucas pessoas, afinal, não tenho medo de cair, ando sob as nuvens e sou amiga dos pássaros.

Haverá dias em que pularei em seu pescoço e beijarei seus olhos, suas bochechas e sua boca com frenesi, outros, um seco oi será a recepção Você se confundirá com meus arroubos e minha distância. Você não entenderá como consigo ser tão efusiva e, após, resmungona e monossilábica. São tantos paradoxos em mim, espero que não tenha pressa em ir. Haverá dias em que arrancar sua roupa será minha meta, noutros, a preguiça me fará passiva. Umas vezes presa, outras, predadora. Dirão que sou incontrolável, mandona, bebo demais. Contarei um segredo, a bebida é uma muleta. Quando chegar com seu jeito sensível e confuso (ainda não aprendi a lidar com alguém como você) eu estarei esperando, da maneira que for, sempre com minhas coloridas máscaras de cílios e batom nos lábios. Ah, perfume, sempre. E brincos. Me ensina a entender você, a saber sua história. Obviamente que sua ex será dilacerada verbal e mentalmente por mim. Não leve a mal, sou sarcástica. Faz parte do meu charme obscuro.

Seus filhos serão amados por mim, uma vez que o pai deles é quem enebriará meus sentidos e comoverá meu coração. Mesmo que não tiver filhos, meus cachorrinhos serão adotados por você (nem se atreva a fazer cara feia). Hum, senti que precisaremos negociar. Escrevo para que se prepare, quando me conhecer os sustos serão suaves, sabe, sou uma avalanche, misturada com um furacão e, talvez, fog londrino. Paradoxos fazem parte do meu mundo. E, agora que sabe que me conhecerá, também farão parte do seu. Um beijo, meu amigo. Aguardo por você.


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