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Para quando você chegar



Desde nosso último encontro, recentemente, relembrei algumas cenas que vivemos e, sejamos sinceros, sempre muito loucas, divertidas e quentes, regadas a cerveja e conversa de alta qualidade. Percebi que nunca havia escrito para você, veja só. E merece, corpinho, como merece, ainda mais que é dono de um dos sorrisos mais charmosos e arrasadores que conheço. O único cara que me tirou de casa às duas ou três da manhã, lembra? Decidíamos que melhor do que ficar no virtual era partir para o real, dois doidos. E a nossa amiga e mega parceira junto. Ela nunca queria segurar vela, mas a gente arrastava conosco e você, sempre querido e educado, a deixava na porta de casa. Qualquer outro que me propusesse em altas horas encontrar com ele seria xingado até a quinta geração, mas com você parecia normal. Aliás, parecia óbvio que nos encontrássemos, essa falta de caretice que nos marca é deliciosa. É ótimo poder ser excêntrica e ter quem se encaixe nessa atitude.

Você sempre chega, sempre aparece do nada, corpinho. E não muda a atração e a energia boa que rola. O beijo, a fome, o desejo, as línguas e a pele. Tudo igual. As conversas, percepções de mundo, nossa mania de viajar nas simbologias, hehehe. Usamos uma lente diferenciada para enxergar o mundo. Depois dessa última vez, percebi que nunca me senti pesada ou ansiosa com você, que tem um poder estranho de me acalmar. E ainda lembra que fui eu quem passou uma cantada em você, admita, pode não ter sido a mais original, mas foi eficiente. Sabe há quanto tempo nos conhecemos? Eu sei. Aquela primeira noite aconteceu de um tudo, quase rolou um clube da luta. Maluca, como sempre são nossos encontros, mesmo os mais calminhos, rotina não é, exatamente, a palavra que define quando estamos juntos. Nossa, me divirto muito sempre, sempre bom, sempre igual e sempre diferente. Sempre maluco, envolvente, quente. Sempre com conversas e risadas, sempre com carinho. E beijos.

Eu finjo acreditar nas suas enroladas, mas vamos combinar o seguinte: não faça mais. Você já é bem grandinho para continuar a agir isso, adolescentes mentem por bobagem e inventam histórias, homens assumem. Ainda mais para mim. E não suma do nada quando nos encontrarmos novamente, parece uma desconsideração. Eu não vou me apaixonar por você. A não ser que queira, mas daí, vai ter que fazer acontecer, corpinho. Porquê ergui essa barreira da nossa diferença de idade e isso me deixa confortável. É um limite de até onde posso ir com você. Brinco que devemos namorar, que fomos feitos um para o outro, mas, se me apaixonasse por você, pode ter certeza de que fugiria para o Himalaia. Eu sou uma covarde, assumo. E orgulhosa. Mas preciso confessar que já estive perigosamente próxima de pensar nisso, sentir. A época era confusa, eu estava confusa, havia toda aquela situação que conhece e não estava preparada. 

Você não sabe, mas me deu uma energia boa quando mais precisei. Me sentia segura e acariciada pela sua presença. E é um homem de coração bom. Sabe, preciso confessar a você que lhe admiro e sei que terá sucesso na vida. Mas nunca esqueça de que o sucesso deve ser geral, afetivo, pessoal e financeiro. Equilíbrio é a condição para que esse fio da navalha que é a vida adulta seja leve e sem muitas sequelas. A fase em que está entrando vai exigir mudanças, aliás, a impermanência é natural. Não relute em mudar, evoluir, abandonar velhos hábitos, em enfrentar essa mágoa que já escureceu seus olhos. Verdade que foi poucas vezes que enxerguei, mas existe. Nascemos para o abismo, corpinho, precisamos de profundidade e intensidade. Nos relacionamos e até envolvemos com pessoas tão profundas quanto um pires, mas é na escuridão e na busca por sentido que somos autênticos. É na reflexão sobre o mundo em que vivemos que está uma boa parte da nossa essência.

A você apenas estar aqui não é o suficiente, quer e precisa mais. Intuo o que é esse mais, mas não cometerei o mesmo erro de falar disso com você. Deixarei que descubra, embora, no fundo, a gente sabe, sempre sabe. Mas tem dificuldade em aceitar e entender. Por isso, procure ajuda profissional, auto-conhecimento é lento e, por vezes, doloroso, mas vale a pena. Sei que seus sentimentos por mim nada são de especiais, mas tenho um imenso carinho por você, consegue me trazer sorrisos e cor. Entrei em mais uma fase de mudança, nesses últimos anos acontece de meses em meses, mas essa última é bem reflexiva e tem me deixado muito sensível. Aquele dia foi como uma brisa suave que varreu minhas preocupações e carências, uma leveza que há muito não sentia.

Para quando você chegar, espero que venha sem desculpas e mentirinhas. Seja ainda mais autêntico, não se esconda detrás disso. Sei que se esconde. Mas seja sempre você. Sabe, sempre penso que, caso fôssemos um casal, seríamos excêntricos e nada convencionais, nos vejo combinando de dedicar uma noite a sair cada um com seus amigos, extrapolarmos na bebida, ultrapassar o horário combinado de chegar em casa. Nos vejo chegando, com nossos respectivos grupos de amigos, no boteco mais fuleiro que esteja aberto às três da manhã, num dia de semana. Imagino que, de início, ensaiaremos um discussão, para em seguida rirmos da situação e ir embora para casa sem nos despedir e ter mais uma daquela noites malucas de sexo e gargalhadas. Bem nós. Um casal que chocaria os outros. E daí, quem disse que precisaríamos ser como todos? Nós seríamos felizes. O que basta. Beijo em todo você, corpinho.

Comentários

  1. que mulher, hein? 40 anos de idade e nada construído, nenhuma realização, nem pessoal, nem profissional, apenas uma senhora vida louca...

    esse é teu caminho: pra quem não tem rumo, qualquer estrada serve! parafraseando-te, boa sorte nessa tua labuta, dona iluminada...

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Obrigada.

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