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A mulher, o vibrador e a Carochinha


No momento em que digito essas linhas não estou fazendo uso de qualquer substância lisérgica, estimulante ou alcoólica. Ressaca também não o é, despeito ou raiva, nada disso. Apenas uma necessidade de colocar os pingos nos is, mostrando onde as "feministas" ou as "poderosas" de hoje deixam seu lindo rabinho preso, ops, deslizam. Apenas um alerta para a falsa liberdade de escolha sexual que muitas mulheres apregoam, um alerta para a falsa soltura sexual. Um dedinho no nariz da Dona Carochinha que faz as moçoilas contar histórias de sexo e farras na cama com um impensado número de homens. Farras essas onde dar o rabicó é o supremo do supremo grau de perversão. Mas elas são pervertidas, pô, são muitos parceiros. Sei. Tem vezes em que não sei se rezo ou rapo meus trocos para presenteá-las com um vibrador amigo.

Mulheres são seres complexos, fisicamente falando. Muitas zonas erógenas, muitas fontes de prazer, muita saliva, muita boca, muita mão e muita vontade de satisfazê-las. Mulheres podem gozar sem a penetração, conheci algumas que relatam ter gozado apenas em um amasso daqueles, durante um beijo e sem as mãos alheias estimular seu clitóris ou sequer tocar seu sexo. Sei de histórias onde gozaram dormindo. Algumas dizem ter ponto G, o que, francamente, é uma bobagem. A mulher tem vários locais de alta estimulação sexual, esse lance de gozo através da vagina é comprovadamente inexistente. Gozamos pelo clitóris, durante a penetração o estímulo pode nos levar ao orgasmo, conforme a posição ou o quanto a moça é safadinha e se masturba durante o ato. Já fui contestada em alguns lugares por defender que a busca pelo ponto G nos impede de simplesmente relaxar e gozar, literalmente. Impede, inclusive, de tentar outras maneiras de obter prazer, conhecer outros estímulos e viver a liberdade de saber do próprio corpo e obter um orgasmo quando quiser.

Sou da opinião que é melhor ficar sozinha do que com um vibrador sem pilhas, amiga (o). Antes minha própria companhia do que um homem que nem me fará gozar na primeira vez ou, possivelmente, nem saiba como fazer a mim ou qualquer mulher gozar desmedidamente. Uma única vez em minha vida conheci alguém que tinha um GPS do meu corpo, quis comer churrasco às três da manhã de uma úmida segunda-feira. Imagine só o que esse homem causou em mim... Bom, melhor nem imaginar, são lembranças de tirar o sono e a paz, hehehe. Mesmo assim, não é o homem, é você, amiga. Sua auto-estima não depende de quantos homens levou para a cama, mas sim, de como consegue lidar com sua sexualidade sozinha, aceitar suas fantasias e entender como funciona esse mecanismo complexo chamado corpo e mente feminina.

Centenas de anos reprimindo a sexualidade e a mulher resultaram numa liberação feminina ao estilo "estouro da boiada". Dou para quem quiser, sim tudo bem, a equação ainda não resolvida é: como faz isso e por quê? O que faz uma mulher não são seus parceiros sexuais, mas como se relaciona com o próprio corpo. Enquanto ainda houver a necessidade de agradar ao parceiro e não a si, a necessidade de acreditar que é o pau que lhe dá prazer e orgasmos, não seu cérebro, haverá um abismo entre trepar e se relacionar bem consigo, amiga. Enquanto a masturbação e o vibrador forem motivo de vergonha entre amigas ou até repulsa, você não é, realmente, uma mulher que se relaciona bem com a sexualidade. Se acredita que prazer e orgasmo são iguais e que apenas o homem pode lhe causar isso, estará replicando um machismo, ainda que velado. Essa última frase é polêmica, sei bem disso e não evito polemizar, assim, reflexões preciosas podem surgir.

Feminismo é meu nome do meio, exatamente por isso é que defendo ampliar o debate sobre o feminino. Adoro homens, sinceramente, de todas as maneiras possíveis, seu cheiro, pele, pelos e pau são maravilhosos, entretanto, me dou ao direito de escolher se sim ou não, de me abster de companhia masculina que nada acrescenta apenas para ter um pau. Amiga, há paus de borracha que vibram e são deliciosos, há modelos discretos e mais práticos, os bullets. Aprendemos com eles como gozar melhor, como estimular mais e mais, como e qual o momento em que um orgasmo realmente espetacular pode e surgirá. A masturbação é fundamental para uma sexualidade sem culpas e plena. Por exemplo, em relação aos homens, para auxiliar na ejaculação precoce, os médicos receitam masturbar-se como exercício para controlar a ejaculação. 

Obviamente que um homem esfomeado pode proporcionar muito prazer. Mas o prazer nem sempre leva ao orgasmo, lembre-se daquela vez em que estava com muito tesão e nada de gozar. Pois é, tivesse um vibrador ali esse assunto se resolveria em pouco tempo. Se na vida a prática leva à perfeição, isso se aplica ao gozo. Dona Carochinha pode ter contado muitas histórias, lembre-se de que essa é sua função. A você cabe separar o real do fantasioso, no caso, o machismo velado. Sexualidade é como aquela porta fechada e escura, que assusta ao mesmo tempo em que a curiosidade é maior. Meu conselho é: abra essa porta, deixa para lá as historinhas bobas de revistas adolescentes. Assuma essa mulher que há em você, seus desejos e seu corpo. Se em relacionamentos dar a alguém a responsabilidade pela sua escolha é fugir da sua, no sexo funciona assim. Seu corpo, seu prazer. E seu orgasmo. Boas gozadas para você.

Comentários

  1. Curti o texto, tomara que muitas e muitas mulheres leiam, e pensem a respeito, não sabia destes teus dons, com as palavras e com o prazer.

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