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Uma grande amizade



Tenho um grande amigo, felizmente. Ele mora em minha casa, está sempre por perto, me fiscaliza (aquele danado), está sempre às voltas conosco, vai comigo até ao banheiro. Grande companheiro, grande amigo, grande alegria. O curioso é que ele tem quatro quilos, olhinhos pretos lindos, expressivos, um pelo branco macio e espesso e abana o rabinho como se fosse um chicote. Sim, é o meu cachorrinho, meu amigo, meu amor, meu filho, neto dos meus pais, primo dos meus sobrinhos, um achado, um motivo de saúde emocional e física. É sem-vergonha demais, feliz demais, tem até pesadelinhos, que acalmo acariciando seu lombo fofo e amado. Eu amo esse cachorrinho de uma maneira impossível de explicar. Aliás, amor não tem explicação. 

Sempre quis ter um peludinho, mas minha família nunca permitiu e eu acredito que foi a hora certa e o cachorrinho certo. Demorei vinte anos para poder ter essa alegria em casa, mas vale a pena todos os dias. Vejo muitas fotos de animais maltratados, abandonados, em sofrimento e isso me dói, me deixa muito mal. Chego em casa e abraço meu peludo e agradeço por ser eu a dona dele, por poder cuidar e amar esse bichinho como ele merece. Imagino que ele não teria as regalias que tem e nem seria tão amado e cuidado se estivesse em outra casa. Aqui ele tem amor em estado bruto, total e ilimitado. 

Pergunto sempre se ele sabe tudo que tem, se sabe o carinho que é dedicado a ele. As pessoas dizem que sim, ele sabe, ele sente como nós e nisso eu acredito piamente. Ele é fonte da alegria para a nossa casa, late, brinca, pula no sofá e tem ciúme de nós, quando está perto de um, não deixa os outros se aproximar. Tão pequeno e tão rabugento, hehehe, acho que até nisso ele pegou o espírito da família. O danadinho pede para ir na sacada, para comer e avisa quando seu potinho está vazio. Dorme comigo emboladinho ao lado do meu travesseiro, tão lindo que até fico atrasando meu sono apenas para observar essa pequena maravilha. Delicadinho, ele acha que é umas vinte vezes maior, porque quando briga, fica eriçado e tenta se impor em nosso mundo de gigantes, para ele. 

E como gosto de observar o sono desse pequeno gigante. Admiro seus traços, seu focinho, suas patinhas seu pequeno corpo espichado ou embolado, dormindo. Sou sortuda, sei que ele me ama, por mais que os detratores de gente como eu achem um exagero admitir que os animais tem emoções e sentimentos. Tenho pena, sabe, sei que ele é um tesouro em nossa vida, uma preciosidade. Quando o adotei várias pessoas foram contra, afirmando que seria um trabalhão cuidar dele, que arrumaria um incômodo, enfim. Que nada, cuidar dele é um prazer, mesmo que ele faça xixi por todos os cantos da casa. Não me importo, limpo e pronto. 

Sei que nem todos entendem porque gente como eu assume esse amor pelos bichinhos. Se pudesse, teria vários, pegaria da rua e cuidaria com todas as regalias. Mas em apartamento é difícil, eu sei. Enfim, se todos pudessem entender que eu, você, meu cachorrinho, os seus peludos, os demais animais que ficam soltos e abandonados na rua são parte de uma coisa só, um grande organismo. Se deixarmos de avaliar a situação apenas sob nosso ponto de vista e observamos a conexão entre todas as formas de vida, se respeitarmos essas vidinhas que decidimos abrigar em nossas casas, acredito que o mundo seria um lugar muito melhor. Para mim e para você.

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