Pular para o conteúdo principal

Escrevo, afinal


Preciso escrever mais, estava pensando agora mesmo. Os sinais de tensão são aparentes em meu corpo. Ombros enrijecidos, tensão muscular, boca apertada, pensamentos desconexos, insônia, sonhos malucos, agitação. Diagnóstico: falta de escrever. Sei lá, acho que minha inspiração precisa de movimento e gente. Preciso de idéias fora das minhas, de pessoas que não eu e de experiências que possam dar tratos à bola. Preciso de saliva gasta em conversas e discussões, preciso me inspirar em pessoas e acontecimentos. Preciso estar envolvida com alguém, preciso duvidar de alguma situação, preciso ter raiva, enfim, preciso estar viva. Emoções me movem, me inspiram, me ajudam. Emoções são a minha vida. 

Eu gostaria de escrever sobre um grande amor, por mais piegas e gasto que seja esse tema. Mas ainda não conheci ou ainda não se resolveu a ser o homem que vai fazer tremer minha base, que vai me arrancar dessa caverna escura em que me escondo (por mais que pareça que vivo entre raios de sol), ainda não ganhei na Mega sena, ainda não fiz minhas estripulias ao volante para divertir quem ler meus textos. E não estou em um momento lá muito propício para descrever meu longo e complicado período em que minha sombra agiu por mim, acho que, na verdade, tive uma depressão leve. E saí sozinha, nem sei como. Mas tenho necessidade e vontade de escrever, tanto quanto respirar. Preciso despejar quem sou nas linhas imaginárias traçadas pelo computador. Quero e gosto de ser eu descrita aqui ou a minha opinião sobre alguma situação. É assim que ajudo minha mente a processar esse mundo doidão em que me vejo como uma observadora atenta, mas rebelde.

Palavras são erros, disse Renato Russo e os erros são meus. Confesso que prefiro errar por falar, escrever e demonstrar do que por ficar boiando em alto-mar. Estou aqui e agora nesse mundo caótico, tentando me equilibrar no fio da navalha que é a vida adulta; escrever é uma das maneiras mais acertadas para conseguir o equilíbrio das atitudes e das idéias. Se puder marcar minha passagem pelo mundo de alguma maneira, nem que seja apenas para quem faz parte do meu cotidiano, mesmo eventualmente, ótimo. Não tenho a preocupação de ser genial, apenas em existir e contemplar. Aliás, contemplar é um dos verbos que mais tem movimentado meus pensamentos, ultimamente. 

Veja só, a falta de inspiração inspirou mais um texto. A falta de acontecimentos extraordinários também. A vontade de escrever então, inspiração-mor, se manifestou nessas linhas e transformou minha angústia pela falta de inspiração em razão principal para escrever. Prova de que havendo vontade, tudo acontece e a vida se movimenta. Tudo pode sair do marasmo e realmente transformar o mundo à nossa volta.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Dessas cartas de amor

Tento escrever sem parecer clichê ou piegas, mas as palavras que são tão fáceis de encontrar parecem fugir de mim. Talvez eu esteja envergonhada ou subitamente tímida, veja só. Mas você causa isso e muito mais em mim. Sei que pode ler meus escritos antigos e pensar que é mais um ou que sou volúvel, a verdade é que os outros foram o caminho, você sempre foi e é meu destino. Aliás, somos o destino um do outro. Você sabe. Sei que gostaria de não sentir o que sente e até ensaiou fugas, sei que está surpreso e confuso. Você não é perfeito e comete falhas, saiba que a perfeição está longe de mim. Então o aceito como é, meu amor enxerga seus defeitos e problemas e isso o faz humano. Hoje em dia, todos querem pessoas perfeitas, relações sem dificuldades, gente sem problemas, porém somos reais e carregamos uma bagagem de vida que nos deixa inseguros, orgulhosos, covardes, assustados. Essa é a vida, a vida possível. Em alguns momentos é pesada e rouba a espontaneidade, quero que a gen...

De onde vem os poemas

Fiquei anos sem escrever poesias ou textos porque faltou o ingrediente principal das minhas transpirações e inspirações: sentimento. Sim, clichê, não é? Justo eu, que sempre fiquei alguns graus fora do ângulo, cometo esses clichês e ou lugares comuns. Mesmo querendo fugir, tropeço nesse troço insondável chamado amor e suas implicações ora leves, ora duras e que tão lindamente me fazem sentir a vida correndo nas veias e deslizando para meus textos e poesias. Para minhas palavras atingirem fulminantemente o cérebro e os corações alheios primeiramente o meu cérebro e meu coração precisam estar flechados e perplexos com emoções indizíveis e mágicas. Sim, acredito na magia dos momentos e na poesia suave que pode ser criada a partir de um sentimento. Meu coração precisa ter um tanto de ideias e um tanto de pessoas dentro dele para que as emoções fluam e se transformem em poesias e textos. Para que eu flua e me transforme em poesia. Um equilíbrio de emoções que até podem parecer...

Medicação

Medicação para dor da alma Medicação para sensibilidade aguçada Medicação para Vazio existencial Medicação para o choro que brota do fundo Medicação para a dor de perder uma amiga Medicação para o desânimo Medicação para o sofrimento Medicação para a tristeza Medicação para a insatisfação Medicação para os pensamentos acelerados Medicação para dormir Medicação para acordar Medicação para embotar suas emoções, seus sentimentos Medicação que tira o prazer de comer, de beber, de respirar, de sentir Mas você consegue sair da cama Se vestir, comer Nada tem gosto, entrega ou vibração É isso, não vibramos Mas estamos medicados Tesão? A medicação tira Orgasmo? A medicação rouba Entusiamo? A medicação termina Mas você acorda, se veste, come, bebe um café Aquele bolo de chocolate perde o gosto Aquela pizza de camarão perde o sabor Aquele beijo é sem entrega Mas você está medicado Feliz feito um zumbi Vivo feito uma estátua Você quer morrer mesmo assim Porquê com...