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Medicação



Medicação para dor da alma
Medicação para sensibilidade aguçada
Medicação para Vazio existencial
Medicação para o choro que brota do fundo
Medicação para a dor de perder uma amiga
Medicação para o desânimo
Medicação para o sofrimento
Medicação para a tristeza
Medicação para a insatisfação
Medicação para os pensamentos acelerados
Medicação para dormir
Medicação para acordar
Medicação para embotar suas emoções, seus sentimentos
Medicação que tira o prazer de comer, de beber, de respirar, de sentir
Mas você consegue sair da cama
Se vestir, comer
Nada tem gosto, entrega ou vibração
É isso, não vibramos
Mas estamos medicados
Tesão? A medicação tira
Orgasmo? A medicação rouba
Entusiamo? A medicação termina
Mas você acorda, se veste, come, bebe um café
Aquele bolo de chocolate perde o gosto
Aquela pizza de camarão perde o sabor
Aquele beijo é sem entrega
Mas você está medicado
Feliz feito um zumbi
Vivo feito uma estátua
Você quer morrer mesmo assim
Porquê com todo esse medicamento, quem está vivo?
Quem saboreia a vida tão medicado, tão encapsulado, tão comprimido?
Quem vive sem algum questionamento, sem alguma insatisfação?
Quem, afinal, realmente vive?

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Eu em mim

Eu estive aqui ontem. Hoje, sou outra a surgir. Eu estive aqui há um mês. Hoje, não quis voltar a dormir. Eu estive lá há um ano. Voltei agora e eu não sou o mesmo lugar. Eu me apaixonei há quatorze meses. Hoje, sou outra e não amo. Eu amei profundamente há três anos. Hoje, lembro com um afeto intenso, mas é outro o coração que pulsa. Eu me namoro hoje. Há oito meses queria morrer. Não sou a mesma em mim, mas somos as mesmas em processo de mudança. A Claudia melancólica, a Claudia fechada, a Claudia vibrante, a Claudia sombria, a Claudia falante. A Claudia quieta. A Claudia poeta. A Claudia que é a água de um rio, o sopro do vento, a chama da vela e a floreira da orquídea. A Claudia que me habita e a quem amo muito. A desesperança e o desânimo são intangíveis e impermanentes.  Meu amor por mim é árvore, que cresce um pouco todos os dias. Sou eu em mim, na mudança do hoje e do amanhã.

De onde vem os poemas

Fiquei anos sem escrever poesias ou textos porque faltou o ingrediente principal das minhas transpirações e inspirações: sentimento. Sim, clichê, não é? Justo eu, que sempre fiquei alguns graus fora do ângulo, cometo esses clichês e ou lugares comuns. Mesmo querendo fugir, tropeço nesse troço insondável chamado amor e suas implicações ora leves, ora duras e que tão lindamente me fazem sentir a vida correndo nas veias e deslizando para meus textos e poesias. Para minhas palavras atingirem fulminantemente o cérebro e os corações alheios primeiramente o meu cérebro e meu coração precisam estar flechados e perplexos com emoções indizíveis e mágicas. Sim, acredito na magia dos momentos e na poesia suave que pode ser criada a partir de um sentimento. Meu coração precisa ter um tanto de ideias e um tanto de pessoas dentro dele para que as emoções fluam e se transformem em poesias e textos. Para que eu flua e me transforme em poesia. Um equilíbrio de emoções que até podem parecer...

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