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Quando saudade explode


Eu, que me considerava fria, descobri que não sou, que meu coração não é de pedra. Descobri que sentimentos falam o tempo todo, e podem me ensurdecer, que meu coração tem vida e um espaço reservado para alguém especial. E descobri que saudade explode no peito, pode ser quase uma presença na vida da gente. Parece trama do Destino (esse infeliz que só me apronta), justo eu que quero esquecer, lembro mais que nunca, porque a saudade me lembra dele, me faz enxergar nossa história em cada filme, em cada música, em cada momento. Eu transbordo esse homem e não sei o que fazer com isso. Não é o nosso momento, não estamos perto, mas estamos tão próximos que até dói. Tem momentos em que acho que embirutei, só pode. Tenho a impressão de que ele me chama, que sei quando ele pensa em mim. Sou capaz de saber quando ele fica inseguro em relação a mim. E que essa saudade dói. Sei que a ausência dele não sossega meu coração, sei que deixa ele mais presente. E é uma tortura querer estar perto de alguém que, nesse momento, navega em algum oceano distante, mas sabe conduzir com maestria seu barco nas águas turbulentas do meu coração.

Penso que seria melhor se aparecesse algum outro cara que distraísse meus pensamentos, que fizesse com que ele sumisse da minha mente. Nunca fui de perder tempo, embora já tenha perdido, uma vez, mas jurei para mim que não acontecerá novamente, não espero mais e que meu momento é hoje. Ontem passou e amanhã depende de mim. Claro que se seu pudesse escolher, escolheria esquecer, o que é um opção inválida. Não há essa possibilidade. No way. Vejo as fotos dele e meu coração se embala em uma canção de saudade, de orgulho, de medo, de desejo. Sei que não consolidaremos esse sentimento, sei que não vai ser nós, nunca. Pensando bem, nunca é muito tempo. Hoje não há um nós. Ou, talvez, de uma maneira muito maluca (e bem nossa cara) exista. Olha, nem sei. Desisti de pensar. Queria ele aqui, perto de mim, quero ele na minha vida e fazer parte do mundo dele, mas é impossível. Mas será que realmente existe o impossível? 

Ele está tão, mas tão longe de mim. E dentro também, muito bem guardado e instalado em meu coração. Ele é uma imagem na retina, uma voz em meus ouvidos e um calor no peito. Sabe, tenho até medo disso, de sentir. Tenho medo dele, um medo enorme. Tem vezes em que me escondo, mas parece que ele adivinha. E se mostra, me puxa para perto. Gostaria muito, mas muito mesmo de arrancar ele de onde está e trazer para cá. Ou de arrancar de mim. Tenho vontade de pedir que ele me esqueça. E de pedir que que me agarre e não solte mais, que me abrace, que me faça sentir que posso tudo ao lado dele. Que juntos somos muito mais fortes, que somos complementares, que somos únicos e somos bons juntos. Mas não tenho esse direito. Hoje, sou inteira saudade e nostalgia, sou ele em mim e eu nele. Sou nós e sou eu, sou saudade e desejo. Sou uma explosão no peito e uma imagem, várias lembranças. Sou só uma mulher que deseja loucamente um só homem. Espero que passe duma vez esse sentimento. Ou que ele me diga que não vai deixar, que pegue minha mão e me leve com ele. Juro, vou onde ele for, para o mar, para as estrelas, para o céu. Vou direto mergulhar em seus olhos e me embebedar dele. O tempo todo. Ou não. Ou sim. Ou, quem sabe?


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