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Amor e boas risadas


Lendo um texto em outro blog sobre a seriedade nas relações e como as pessoas deixam a relação pesada com a falta de bom humor, fiz uma reflexão. O autor dizia que as relações terminam porque há falta de leveza e não falta de amor. Eu discordo totalmente. Acho que a rigidez e a seriedade, são falta de amor sim, mas de amor próprio. Gente que não se perdoa, morre de vergonha ao cair sentada no chão, que sente vergonha de roupas, de gargalhadas, de emitir algum som estranho e tudo o mais, são pessoas que querem demais agradar aos outros e esquecem da agradar a pessoa mais importante, ela mesma. E quem não se ama e não se aceita, sério, como ser aceito pelo outro? São aquelas mulheres que parecem manequim de loja, vestem-se padronizadas, sem um toque de criatividade; são aqueles homens que parecem estar de uniforme. Pessoas que tem medo de fazer papel ridículo, que morrem de vergonha de qualquer deslize e cobram do outro estar "adequado", não envergonhá-los, reprovação em si e ao seu redor. 

Acredito que é falta de amor próprio ser tão adequado, tão limpinho, tão certinho. Aquela gargalhada fica contida na garganta, afinal, o que os outros irão pensar? Quebrar um copo ou perder uma chave é coisa de gente lerda, estabanada e ridícula. Quem disse? Ser autêntico e assumir que faz dessas de vez em quando é bem menos vexatório do que viver com culpa, estar policiando seus atos a todo momento. E policiar os do parceiro, também. Por isso, entendo os homens ou mulheres que passam tanto tempo fora de casa. Já não cometemos crimes e não estamos sujeitos a esse tipo de julgamento, mas se chegar em casa significa submeter-se a um verdadeiro tribunal, mesmo que silencioso, melhor qualquer outro lugar. Um comportamento como esse é típico de quem nunca está feliz e não se ama. E, o pior, é que automaticamente, julga o outro, culpa o outro e condena. 

Evidente que ter sempre reações esquisitas, bancar o engraçadinho é muito chato. Mas falo de situações normais, todos estão sujeitos a deslizes, cometer gafes, falar besteira. Eu, por exemplo, puxo o elástico da calcinha na rua. Quando a calça é muito apertada, faço ginástica e não me importo com os outros, a calcinha incomodando é muito pior. E não vou esperar para entrar em algum lugar e usar o banheiro. Puxo ali, na hora. Sem constrangimentos. Claro que se estou em um roda de amigos não faço isso, mas quando há várias amigas, sem problemas. No final, ninguém dá tanta bola assim. Imagina se um cara me recrimina por isso? Ou debocho dele, ou lanço meu olhar fulminante (sim, tenho um olhar fulminante).

Lógico que há pessoas que tem atitudes escatológicas de propósito ou  várias manias e não admitem as alheias e nem frexibilizam a convivência. Ou é do jeito deles ou de jeito nenhum. Você se estressa, se irrita e percebe que aquela pessoa é egoísta. Faz de tudo para lhe provocar e fazer com que você se ache maluco. Tenho certeza de que nesse trecho você riu. Ou já foi assim ou, mais fácil, conhece alguém assim. Ainda bem que esse tipo de gente não é tão comum encontrar. 

Tenho certeza de que quem se ama, se respeita e se perdoa. A auto-aceitação é pré-requisito para viver de bem com a vida e de bem com o outro. Amar e não fiscalizar tanto quem vive esquecendo de algo ou sempre esbarra nos móveis. Queimar a comida às vezes não é nenhuma catástrofe, comeremos de qualquer jeito. Se você der um esbarrão em mim enquanto dorme, paciência. Se permita e me permita ser ridículo de vez em quando, permita-se o caos, a gargalhada, o choro, a emoção. Permita o palavrão no jogo de futebol, a minissaia em sua mulher que tem belas pernas, use camiseta de banda de rock. Permita uma gafe de vez em quando e que seu parceiro ou parceira dê aquela debochada de alguém. Não desrespeitou a você e nem a si mesmo, beleza. Mas permita que seu amor não seja um relacionamento sério, mas sim, um relacionamento divertido, leve, alto astral. Afinal, amor e boas risadas são uma combinação perfeita, não acha?

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