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Postagens

A difícil arte de se relacionar a dois

Esqueça as borboletas no estômago, as ufanias, a insensatez e a loucura. Esqueça conto de fadas, afinal, nem você é uma princesa e nem ele será um príncipe. Esse não é um reino e a magia nada mais é do que viver a realidade plenamente, sem esquecer da poesia de estar vivo. Mas amar é bagunçar, sim, de uma maneira diferente de atormentar e desconstruir, é uma revisão de como você sempre viveu. Amar é crescer. Amar é olhar para si, mas perceber o outro. Talvez, por isso, em princípios de relações, uma pessoa se sinta tão perdida, tão em dúvidas. Absolutamente insegura e sem saber como agir. Amar, talvez, seja como renascer. Essa pode ser a explicação por nos sentirmos tão atordoados e até um tanto infantis quando os primeiros acordes de uma canção inaudível aos outros mortais ecoe em nosso coração. Cada início é meio torturante, atire a primeira pedra quem nunca agiu como um maluco nessa fase (mesmo que jamais admita ou o tenha feito escondido). Somos quase que completos imbe...

No próximo ano, lambuze-se

Os votos dessas festas de final de ano são iguais e repetidos ad infinitum mundo afora pela sua família, vizinhos, amigos, desconhecidos, desconfio de que até os mortos os repetem em seus túmulos. Blábláblá sem emoção jogado ao vento e nos ouvidos incautos de quem foge dessa hipocrisia morna e irritante. Portanto, serei sincera: desejo que nesse próximo ano, você se lambuze. Fique com o rosto sujo e a alma respingada pelo lambuzo. Descasque uma manga e coma sem cortar em pedaços, sinta o suco escorrendo pela sua boca, as mãos meladas. Lambuze-se. Vá mais vezes à pracinha de brinquedos com seus filhos e se lambuze de areia, sujeira e amor. Abrace sua mãe e seu pai, faça mais brincadeiras irônicas com seus irmãos, evite a irritação com comentários alheios. Lambuze-se de tolerância. Sinta que você pertence a você, mas permita que alguém se lambuze de você. Permita que se lambuze com suas palavras, seus gestos, suas atitudes, seus olhos, seu corpo. No próximo ano, lambuze-se de ...

Procuro seus pedaços em alguns inteiros

Parece loucura, parece volubilidade, parece carência, parece que meu sentimento é vão. Clichê total, sei disso, por favor, me permita a breguice de sentir sua falta cada vez em que dobro a esquina, que vejo alguém parecido com você, que lembro das nossas conversas, que penso em saber sua opinião. Deve ser isso ou o juízo me fugiu (se é que algum dia o tive) que faz de mim uma caçadora dos seus pedaços pela cidade. A tatuagem de alguém que lembra a sua, um homem com a sua altura e estilo, outro que trabalha na mesma área, outro que conversa um assunto que remete a você, os enfileirados, um após outro, que surgiram com seu signo, atormentando minha vida. Aquele cujo signo é o mesmo do seu lunar. Sim, lembro de tudo, até porque, nem faz tanto tempo assim. Mesmo que fizesse, sua ausência é uma desgraça, está em cada passo que dou, em cada retorno para a minha casa, em cada vez em que deito e sinto sua falta. Você está em mim e em algum lugar por aí. O coração pula enlouquecido e...

O conquistador de Padaria (ou Norman Bates)

É um sujeito todo certinho, mesmo que não aparente. Provavelmente, caminhe como se estivesse na eminência de defecar, embora não o seja. Abre a porta da padaria para você passar, cede o lugar na fila do caixa e sempre faz um elogiozinho besta. Você, de início, até responde, agradece, conversa com ele até a quarta ou quinta vez em que se encontram. É aquele tipo que sugere o pão mais fresco, o melhor amaciante e até abraça sua avó com carinho. Todo santo dia dá bom dia (ou boa tarde ou boa noite) no mesmo tom de voz, faz as mesmas perguntas e usa a camisa abotoada até o pescoço ou, então, de maneira que pareça estar enforcando. Parece tão certinho, tão engomadinho, tão, tão... Assustador (tipo o Norman Bates, lembram de Psicose?). A quinta ou sexta vez em que conversa com ele, começa a desconfiar de tanta solicitude, daquele tom monocórdio de voz, daquela Síndrome de Pollyana (a história de uma menina tão, mas tão boazinha que apanhava da vida e sorria), daquela educação toda. As p...

As grandes amizades

Uma postagem minha, numa dessas tantas redes sociais, rendeu uma conversa inspiradora com uma amiga muito querida que tem a história de vida bem parecida com a minha, sobre como a amizade se dá mais pela ocasião do que por afeto. Que muita gente é egoísta, procura apenas quando vê necessidade ou quando está sozinha, isso sabemos, mas o comportamento de várias dessas amizades atinge o absurdo. Sabotar futuros relacionamentos, enciumar-se de alguma outra amiga, cobrar atenção quando quem sumiu foi a pessoa em questão, comparar-se, enfim, tantas atitudes sem motivos e sem noção que nem sei descrever. Gente que agradece aos amigos que tem, sentados em volta de uma mesa, num bar e bebendo muitas cervejas, isso é lindo. Quero ver esses mesmos "grandes" amigos procurar em casa, quando a pessoa está sozinha ou com algum problema. Lógico que não serão seus amigos, a finalidade é essa mesma, apenas diversão e banalidades. Há situações que acontecem na nossa vida que são um tap...

Rima

Na inquieta solitude do Destino, me encontro e sublimo Na escura hora do meu abismo, plano e mergulho Na perdida canção do passado, não me reconheço Busco (alguém) a mim, ninguém Perco a alma, o juízo Me desfaço do bom senso, agonizo Desfibrilo, acordo, comatizo Puxo meu cérebro, esqueço o coração Encontro minha sina Adrenalina que agita Grito na janela, abro a porta Ponho a goela A língua treme, a boca vocaliza Você monopoliza minha loucura Perco a fé, a cabeça e as chaves Tento a fechadura, o chão e o céu Perdi, você, tergiversei Encontrei meu coração Meu mundo, minha confusão Fugi, sem rastros Queria que estivesse em meu encalço Seu abraço, cheiro Lembranças são o que tenho Desafino, procuro e não acho Essa é uma parte do meu caos O Labirinto em que vivo A arte de ser Eu, você.

Uma verdade sobre as famílias felizes

Famílias felizes não existem. O que há são aparências, porta-retratos, e almoços de domingo onde se esconde a falsidade das relações. Não, seus pais não te amam acima de qualquer pessoa, eles amam a si mesmos refletidos em vocês. Alguém já viu pai de adolescentes e ou jovens adultos falando maravilhas da paternidade e maternidade? Os que vi, são aqueles que entregaram os filhos para os avós cuidarem. Alguém já parou para pensar de onde vem tanto desamor nesse mundo? Reflita, se as noções primeiras de convivência, valores e amor vem da família, por que motivo se ama tão pouco e isso diminui cada vez menos? Por quê há tantos problemas de relacionamento, de respeito ao outro e compreensão? Dizer que ama um filho pequeno, que faz gracinhas é fácil, mas considerar que obteve sucesso e ser feliz com os filhos em torno dos trinta anos, após ver no que deu suas experiências como progenitores é que são elas. Tolstoi, em sua frase célebre, afirmou que todas as famílias felizes são iguai...